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Corrupção contas de campanha Jean-Luc Mélenchon

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França: acusado de superfaturar contas públicas de campanha, líder da extrema esquerda se diz vítima de complô

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Jean-Luc Mélenchon é acusado de superfaturar as contas públicas de campanha REUTERS/Charles Platiau

O presidente do partido de extrema esquerda A França Insubmissa e ex-candidato à presidência da França, Jean Luc Mélenchon, prestou depoimento na quinta-feira (19), durante cinco horas, em uma investigação sobre o financiamento público de sua campanha presidencial e sobre a suspeita de funcionários fantasmas em seu partido. Ele acusou nesta sexta-feira (19) o presidente francês, Emmanuel Macron, de ter criado um “circo midiático”.


Mélenchon é acusado de ter apresentado gastos excessivos à Comissão Nacional das Contas de Campanha e de Financiamentos Políticos (CNCCFP), que validou seu orçamento num primeiro momento, mas pediu revisões em seguida. A Comissão divulgou um documento revelando que a Era do Povo, associação pertencente ao partido de Mélenchon, havia apresentado uma fatura equivalente a € 440.027 ao Estado. Mas a organização “não tinha atividade comercial declarada” e seus escritórios ficavam no prédio de outra associação de Mélenchon – os altos valores das faturas apresentadas pelo A França Insubmissa preocuparam, portanto, a Comissão.

Após cinco horas de interrogatório, Mélenchon afirmou já ter respondido, por escrito, à administração do Parlamento europeu sobre a acusação da existência de funcionários fantasmas no seio de seu partido. Com relação ao financiamento de campanha, o político de esquerda estimou que “não tinha mais nada a dizer”, já que o orçamento apresentado foi validado num primeiro momento.

Mélenchon afirma que polícia se comporta de forma diferente com seu partido

Ele acusa o dirigente francês de querer aparecer como “o salvador da pátria”, ao propor o remanejamento de seu governo na mesma semana em que tenta caricaturar Mélenchon como seu oposto: um político corrupto. “Senhor Macron, está na hora de rebobinar seu filme. Sua manobra já está acabada”, declarou o líder do partido de extrema esquerda.

O deputado está no centro de uma tempestade política após se opor, violentamente, às forças de ordem no contexto das investigações. Em um vídeo, Mélenchon aparece chamando seus colegas para “derrubar a porta” da sede de seu partido, onde os policiais atuavam. Após o incidente, o político foi acusado de “ameaças e atos de intimidação contra autoridade judiciária” e “violências contra autoridade pública”.

Vários sindicados de polícia denunciaram na quarta-feira (19) a atitude “inaceitável” de Mélenchon. “Os policiais não são respeitados pelos políticos em casos de investigação”, disse a associação Unsa-Police. “A França Insubmissa não é tratada como todo mundo, eles querem nos assustar, nos intimidar”, justificou, por sua vez, Mélenchon.