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França Contaminação Alimentos

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Depois de vender leite contaminado, Lactalis é acusada de comercializar 8 mil toneladas de produtos com salmonela

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Les analyses de Pasteur accréditent l'idée que cette bactérie a subsisté pendant toutes ces années dans cette usine de Craon (Mayenne), rachetée par Lactalis à son concurrent Celia en 2006. REUTERS/Stephane Mahe

A empresa alimentícia Lactalis foi acusada pelo jornal francês Le Canard Enchaîné de ter vendido 8 mil toneladas de leite em pó da usina de Craon, que apresentavam um risco de contaminação por salmonela. Foi desse mesmo local de produção que veio o leite infantil que intoxicou diversos recém-nascidos no ano passado. A Lactalis desmente as informações.


Segundo a Associação das Famílias Vítimas do Leite Contaminado com Salmonela (AFVLCS), a Lactalis continuou comercializando o pó na composição de suas sobremesas sem conferir antes o teor de salubridade.

“As insinuações de possível contaminação são infundadas e baseadas em hipóteses não justificadas”, respondeu em um comunicado o grupo francês. “A Lactalis não poderia ter colocado no mercado produtos tendo a consciência de que eles estavam contaminados. Condenamos fortemente essas acusações, que visam acabar com nossa reputação.” Segundo o fabricante, as 8 mil toneladas de pó para adultos foram produzidas numa torre de secagem livre de contaminação.

Governo diz que “fraudes não serão admitidas”

Após a declaração da Lactalis, a AFVLCS disse suspeitar de uma responsabilidade das autoridades na distribuição do produto no mercado. A associação pede acesso aos documentos citados pela Lactalis, assim como uma justificativa do Estado por ter supostamente ignorado a produção e distribuição.

O porta-voz do governo, Benjamin Griveaux, afirmou que é preciso ser “o mais transparente possível” e ressaltou que, “em matéria de saúde pública, nenhuma fraude será tolerada”. Sobre o papel do Estado no caso Lactalis, Griveaux lembrou que, em 9 de dezembro de 2017, o governo obrigou a empresa a reexaminar mais de 600 caixas de produtos de nutrição infantil, contrariando o desejo do grupo de se limitar a 12 amostras.

“Se a Lactalis tentou fraudar as ordens que lhe foram dadas, evidentemente ela deve ser condenada, e somente uma investigação permitirá determinar sua responsabilidade”, finalizou Griveaux.