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Pressionados por escândalos, 118 bispos franceses se reúnem com vítimas de pedofilia

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Conferência de Bispos da França receberá vítimas de pedofilia ERIC CABANIS / AFP

Pressionados pelos inúmeros escândalos de pedofilia, 118 bispos da Igreja Católica da França se reúnem a partir deste sábado (3) em Lourdes para receber, pela primeira vez na cidade, as vítimas de abuso sexual, com a intenção de abafar as acusações de silencio e de falta de reação da parte dos líderes religiosos. Oito vítimas devem comparecer ao local no primeiro dia de assembleia plenária da Conferência dos Bispos da França (CEF, em francês), que acontece duas vezes ao ano.


Véronique Garnier, uma das vítimas esperadas neste sábado, afirmou que "será a ocasião de ouvir palavras que explicam e reconfortam". Ela espera que os bispos reconheçam sua responsabilidade. “Os bispos agem há mais de quinze anos para acompanhar as vítimas e responder com severidade aos agressores”, afirmou Georges Pontier, presidente da CEF, ressaltando que eles perceberam tarde demais “a profundidade das feridas”.

As sessões de acompanhamento terão duas vítimas e 30 bispos cada. De acordo com o arcebispo de Marselha, a intenção é “criar uma atmosfera de escuta e de reflexão”. “Queremos compreender porque a Igreja não foi capaz de os ajudar”. Nessa semana, a igreja católica de Vendée anunciou que investigaria ocorrências de pedofilia nos dois estabelecimentos da região entre 1950 e 1979.

Mas a principal associação de vítimas, "Discurso liberado", recusou-se a participar do evento e chamou o encontro dos bispos com as vítimas de "operação de publicidade".

Apelo a especialistas

Até o dia 8 de novembro, o parlamento do CEF vai discutir se a Igreja deve ou não fazer apelo a um grupo de especialistas independentes, como historiadores, para investigar os abusos sexuais do passado.

Mas a luta contra a pedofilia na Igreja ainda encontra resistência. Na última quinta-feira (1), o padre Pierre Vignon, de Vercors, que apoiou diversas vítimas e pediu a demissão do cardinal Philippe Barbarin – acusado de omissão – foi afastado de suas funções de juiz do tribunal eclesiástico de Lyon. A decisão foi tomada por doze bispos da região.

Neste sábado, várias associações, como a Ending Clergy Abuse, fez um apelo para que todas as vítimas de pedofilia, do mundo todo, se manifestem em frente à catedral mais próxima.