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PSG acusado de discriminação racial no recrutamento de novos talentos

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Imprensa francesa destaca escandalo no futebol, mais precisamente, no Paris Saint Germain. Reprodução

“Nauseabundo. Há algo que cheira mal no futebol francês”. Assim começa o editorial do jornal Aujourd’hui en France desta sexta-feira (9). A matéria de capa fala sobre a denúncia de que o Paris Saint-Germain (PSG) selecionava jovens para seu centro de formação de acordo com a cor da pele.


“Um negócio sujo” é o título da reportagem. Documentos obtidos mostram que os recrutadores do clube parisiense deveriam incluir na ficha dos garotos uma menção sobre a etnia, com quatro possibilidades: francês (ou seja, branco), magrebino (do Norte da África: Marrocos, Tunísia ou Argélia), antilhano ou africano.

O jornal francês lembra que na França é proibido mencionar e registrar em formulários qualquer observação que possa, direta ou indiretamente, fazer referência às origens raciais ou étnicas, ou em relação à religião. Trata-se de um crime, que pode ser punido com até cinco anos de cadeia e uma multa de €300 mil.

O mundo podre e secreto do futebol

As denúncias foram feitas na quinta-feira (8) pelo site Mediapart e a TV France2. Os documentos foram repassados ao site Football Leaks, que, inspirado no Wikileaks, escancara o lado podre e secreto do futebol mundial.

Os documentos obtidos se referem a um período entre 2013 até o primeiro semestre de 2018. Marc Westerloppe, que descobriu Didier Drogba, dirigia um grupo de 15 recrutadores do PSG espalhados pela França, com exceção da região parisiense.

As anotações recolhidas nas denúncias são escandalosas. Em 2014, Westerloppe, veta a entrada de um garoto de 12 anos, nascido na Costa do Marfim. “É preciso ter um equilíbrio na diversidade, há antilhanos e africanos demais no PSG”, escreveu Westerloppe. “É uma pena termos sempre os mesmos perfis no Paris. É uma ordem da direção”, acrescenta. Hoje o jovem vetado na época, Yann Gboho, é um destaque do FC Rouen.

Questionado pelo Aujourd’hui en France, Westerloppe, hoje em outro clube, admite ter errado, mas não se explica. Segundo pessoas próximas, o recrutador acreditava que os dados em questão “eram uma informação como outra”.

PSG contesta envolvimento

Diante das evidências, o PSG soltou uma nota, confirmando a existência dos formulários, mas destacou que a prática foi adotada por iniciativa pessoal do responsável do departamento e que “não corresponde aos valores do clube”.

O clube parisiense explica que iniciou uma investigação para entender como as práticas surgiram e estudar as medidas necessárias. O PSG acrescenta que o recrutamento de jovens é feito unicamente com base na competência e comportamento dos candidatos.