rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês

França Twitter Donald Trump Emmanuel Macron Estados Unidos

Publicado em • Modificado em

Presidente francês se torna novo alvo de Trump no Twitter

media
O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente francês, Emmanuel Macron, durante a cerimônia de comemoração do Dia do Armistício do fim da Primeira Guerra Mundial, no Arco do Triunfo, em Paris. 11/11/18 Francois Mori/Pool via REUTERS

O presidente americano, Donald Trump, mal aterrissou nos Estados Unidos, depois de viagem à França, e já metralhou o presidente francês, Emmanuel Macron, de críticas. Em uma série de tuítes furiosos publicados nesta terça-feira (13), o republicano voltou a exigir que Paris aumente sua contribuição à Otan, lembrou que o índice de popularidade de Macron é baixo e que os Estados Unidos produzem vinhos tão bons quanto os franceses.


O primeiro tuíte do presidente americano foi publicado em torno das 7h da manhã em Washington (8h em Brasília). "Emmanuel Macron sugere criar seu próprio exército para proteger a Europa dos Estados Unidos, da China e da Rússia. Mas foi a Alemanha quem fez isso na Primeira e Segunda Guerras Mundiais. E como isso terminou para a França? Eles tiveram que começar a aprender alemão em Paris até que os Estados Unidos chegaram. Paguem pela Otan ou não!", escreveu, demonstrando que não conseguiu digerir até o momento a sugestão do presidente francês de que a Europa se fortaleça militarmente.

Não satisfeito, uma hora depois, Trump retornou ao Twitter e, desta vez, o assunto foi o vinho francês. "Por outro lado, a França produz vinhos excelentes, mas os Estados Unidos também. O problema é que a França torna muito difícil para os Estados Unidos venderem vinhos na França, cobrando altas taxas, enquanto os Estados Unidos facilitam para os vinhos franceses, e cobram tarifas muito baixas. Não é justo, isso tem que mudar!".

Twitters do presidente americano, Donald Trump, visando a França e o Presidente Emmanuel Macron @realDonaldTrump

Minutos depois, Macron voltou à mira de Trump. "O problema é que Emmanuel sofre com uma popularidade muito baixa na França, 26%, e com um índice de desemprego de quase 10%. Ele apenas tentou desviar para outra questão. Falando nisso, não existe país mais nacionalista do que a França, são pessoas muito orgulhosas e com razão!". "TORNE A FRANÇA GRANDE NOVAMENTE", reiterou no tuíte seguinte - o quarto da sequência.

Doze minutos depois, o presidente americano retornou à plataforma. "Falando nisso, quando o helicóptero não pôde voar para o primeiro cemitério na França por causa da visibilidade quase zero, eu sugeri que fôssemos de carro. O serviço secreto disse não, é muito longe do aeroporto e de Paris. Fiz discurso no dia seguinte no cemitério americano debaixo de chuva torrencial! Pouco noticiado - Fake News!", escreveu em sua última mensagem, fazendo referência ao cancelamento no sábado (10) da visita que deveria fazer ao cemitério americano de Bois Belleau, no norte da França, segundo a mídia francesa, devido ao mau tempo. No dia seguinte, o republicano foi ao cemitério americano de Suresnes, no nordeste de Paris, onde discursou.

Eliseu ironiza tuítes

Após a série de tuítes incendiários de Trump, o Palácio do Eliseu conversou com a imprensa francesa. Um dos conselheiros de Macron respondeu a jornalistas que não há maiores esclarecimentos a fazer sobre a polêmica da possibilidade de se criar um exército europeu. "Tudo já foi dito" no encontro entre os dois líderes no último fim de semana, garantiu.

"A questão do exército europeu foi explicada a Donald Trump pelo presidente da República. Os dois finalizaram o encontro seguros das intenções da França, sobretudo que a França não está fazendo uma escolha entre um instrumento de defesa europeu e as instâncias multilaterais e a Otan, etc.", reiterou.

Sobre o fato de a França e a Alemanha terem sido inimigas durante as duas guerras mundiais, o conselheiro foi irônico. "Se, além disso, o presidente Trump dá uma espécie de aula de história... não farei nenhum comentário, mas é uma boa notícia que o presidente Trump se lembre da história da Europa", concluiu.

Motivo de irritação de Trump

Macron recebeu Trump no sábado, antes das comemorações do centenário do fim da Primeira Guerra Mundial, em uma tentativa de aplacar a tensão depois que o presidente americano considerou "insultante" a intenção de Macron de criar um exército europeu.

Em uma entrevista à CNN após seu encontro com Trump, Macron contou que ambos conversaram sobre o que considera "um mal-entendido". Segundo o presidente francês, os dois líderes teriam entrado em acordo sobre os custos da Otan serem melhores distribuídos.

No entanto, o presidente francês afirmou que os europeus precisam gastar em prol de sua segurança e não para favorecer o setor armamentista dos Estados Unidos. "Não quero que os europeus aumentem o orçamento de defesa para comprar armas americanas ou outras. Se aumentarmos o orçamento, será para construir nossa autonomia", afirmou Macron à CNN.