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“Não vou debater com Trump via twitter”, diz Macron após críticas do presidente dos EUA

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Emmanuel Macron durante entrevista a bordo do porta-aviões Charles de Gaulle Captura televisão/TF1

O presidente francês Emmanuel Macron se pronunciou nesta quarta-feira (14) sobre as críticas a seu governo feitas por Donald Trump por meio das redes sociais. O líder francês disse que aliados, como França e Estados Unidos, devem se respeitar, mas que não pretende discutir com o chefe da Casa Branca “via tuites”.


Em uma entrevista de quase meia hora concedida ao canal de televisão francês TF1 Emmanuel Macron respondeu sobre a polêmica das mensagens recentes postadas pelo presidente norte-americano nas redes sociais. Depois de passar o fim de semana em Paris para as comemorações do centenário do fim da Primeira Guerra Mundial, Donald Trump publicou uma série de tuítes agressivos contra o líder francês. Nas mensagens, o chefe da Casa Branca gozou da fraca popularidade de Macron, disse que os franceses fazerem um bom vinho, mas que o país cobra tarifas injustas nas importações do vinho americano, e chegou a dizer que o povo francês é orgulhoso demais.

Em resposta, Macron, que deu a entrevista em alto mar a bordo do porta-aviões Charles de Gaulle, lembrou que França e Estados Unidos são parceiros históricos e que em vários momentos difíceis os dois países estiveram juntos. “E entre aliados exigimos respeito”, disse o presidente francês. “Não quero saber do resto”.

Quando o jornalista insistiu sobre a alfinetada de Trump sobre a queda da popularidade de Macron, na cada dos 26%, o líder martelou que não pretende responder às declarações do chefe da Casa Branca. “Não vou fazer um debate com o presidente dos EUA, com quem eu passei mais de três horas conversando há três dias, por via de tuites. Não faço diplomacia ou política via tuites”, sentenciou.

Para Macron, o que conta acima de tudo é que os países se entendam sobre temas essenciais, como a segurança. “Nossos soldados trabalham juntos e arriscam suas vidas juntos”, disse o presidente, lembrando que as duas nações estão engajadas lado-a-lado na luta contra o terrorismo.

Porém, o presidente francês deixou claro que a parceria em termos de segurança não significa abrir mão de sua soberania e mencionou, nas entrelinhas, o projeto de criação de uma força armada europeia, tema que provocou a ira de Trump, antes mesmo de desembarcar em Paris no fim de semana. “Não devemos depender de ninguém. Nem dos Estados Unidos. Ser aliado não quer dizer ser vassalo”, afirmou.