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Tuítes de Trump contra Macron revoltam políticos franceses que evocam "diarreia verbal"

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Olivier Faure, secretário-geral do Partido Socialista, disse que os comentários de Trump são lamentáveis. Thomas Samson / AFP

O presidente americano, Donald Trump, conseguiu um fato notável: unir a classe política francesa em defesa de Emmanuel Macron no momento em que o chefe de Estado francês enfrenta críticas ao seu governo e queda de popularidade. Deputados franceses da base governista e da oposição condenaram por unanimidade a série de tuítes disparados ontem por Trump contra Macron.


A tentativa de humilhar o presidente francês provocou revolta e Trump não encontrou nenhum advogado na Assembleia Nacional. O secretário-geral do Partido Socialista (PS), Olivier Faure, classificou a atitude de Trump como "uma diarreia verbal", com tuítes, segundo ele, "tão numerosos quanto inúteis". Faure manifestou sua solidariedade a Macron "nesse momento lamentável, em que um presidente americano confunde a expressão digna dos Estados Unidos com uma forma de diarreia verbal insuportável", enfatizou.

Philippe Gosselin, do partido de direita Os Republicanos (LR), tradicionalmente defensor dos aliados americanos, foi sintético: "Vamos manter a dignidade, porque Trump não merece nem reposta".

Depois de passar o fim de semana em Paris, para as comemorações do centenário do fim da Primeira Guerra Mundial, Trump voltou a Washington e publicou uma série de tuítes agressivos contra o líder francês. O republicano qualificou de "insulto" o projeto de Macron de construir um exército europeu para se defender de Rússia, China e Estados Unidos.

Trump disse que os franceses são orgulhosos demais, que o verdadeiro inimigo da França é a Alemanha – por ter obrigado os franceses a aprender alemão durante a ocupação na Segunda Guerra Mundial. Além disso, declarou que o problema de Macron era sua fraca popularidade e afirmou que, apesar de os franceses fazerem um bom vinho, o país cobra tarifas injustas nas importações do vinho americano.

Como assinalaram vários especialistas, os produtores da Califórnia têm sofrido queda de suas exportações não por culpa da França e, sim, da guerra comercial lançada por Trump contra a China, que diminuiu suas importações do produto americano.

Nem amigos de Le Pen apoiam Trump

O deputado Gilbert Collard, amigo da líder da extrema direita, Marine Le Pen, também esnobou Trump. "Beba sua coca-cola, faça seus tuítes e deixe a gente fazendo nosso bom vinho", cutucou. Segundo Collard, "os tuítes de Trump são reveladores da grande tensão internacional nesse momento e de sua provocação contra a União Europeia".

Já o deputado Eric Coquerel, da bancada da esquerda radical A França Insubmissa, disse que está na hora do governo francês adotar uma postura mais agressiva contra a Casa Branca. "Não é isso que vai colocar a paz em perigo, mas talvez Trump entenda que há limites a não serem ultrapassados e ele os ultrapassa diariamente", afirmou o opositor. Nada é surpreendente vindo do presidente americano, disse Coquerel, que qualifica Trump de "racista, misógino e descontrolado".

A deputada Yael Braun-Pivet, que é do mesmo partido de Macron, lamentou que essa enxurrada de críticas à França e aos franceses tenha ocorrido exatamente na data do terceiro aniversário dos atentados terroristas de 13 de novembro de 2015 em Paris, que é um dia de luto, de recolhimento nacional.

Ontem, o porta-voz do governo, Benjamin Griveaux, declarou que não tinha comentários oficiais para fazer. Que tudo o que Macron tinha a dizer a Trump foi feito pessoalmente no fim de semana. Mas nesta quarta, Griveaux comentou que "faltou decência" ao republicano.

"Ontem, era dia de celebrar a memória de 130 compatriotas assassinados em 13 de novembro. Então, vou responder hoje em inglês: 'common decency', respeitemos a decência mais elementar", afirmou o porta-voz ao final da reunião do Conselho de Ministros.