rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês

França Julgamento bebê Crime

Publicado em • Modificado em

França: mãe não sabe explicar à Justiça porque escondeu bebê dois anos no bagageiro do carro

media
A mãe de Serena que escondeu sua filha durante dois anos. Captura de vídeo TF1

Tribunal francês tenta entender porque a portuguesa Maria Rosa da Cruz escondeu a filha do nascimento até os dois anos dentro de um carro. No terceiro dia de audiência, ela declarou que mentiu ao ter afirmado no passado que “às vezes falou, lavou, cuidou ou acariciou” a filha, que tem sequelas graves por conta dos maus-tratos.


“Meu psiquiatra me ajudou a aceitar a Serena. Eu aprendi a amá-la, mas não consigo avançar. Preciso vê-la”, confessou Maria Rosa da Cruz nesta quarta-feira (14), no tribunal de Tulle, no centro da França, onde desde segunda-feira ela é julgada por três crimes: violência parental, privação de alimentação e dissimulação de estado civil de menor. Ela pode ser condenada a até 20 anos de prisão.

“Não consigo explicar para mim mesma o que aconteceu, então não posso explicar para vocês, declarou Maria Rosa da Cruz à Justiça. Para os jurados, ela continua sendo um enigma, assim como seus atos.

Mãe escondeu criança durante dois anos

Em 25 de outubro de 2013, Maria Rosa da Cruz, uma mãe de família de 45 que vivia em Brignac-la-Plane, no centro da França, levou o carro para uma revisão a uma oficina da região. Ao ouvir “barulhos estranhos”, um funcionário da oficina pediu para seu colega abrir o bagageiro enquanto ele conversa com a cliente.

Dentro dele, havia um bebê dentro de um berço, sem roupas, ensopado em sua própria urina, e “agonizando”, segundo descrição do mecânico. Ao lado, dois brinquedos, uma chupeta e uma mamadeira. Depois da descoberta, os pais foram detidos para interrogatório e indiciados.

Segundo a polícia, Maria Rosa da Cruz teve a criança em novembro de 2011, e a escondeu durante dois anos do marido, que jura nunca ter tido conhecimento da existência de Serena, e dos três filhos.

Menina vive com família adotiva

Durante o processo, Maria Rosa da Cruz contou que deixava o bebê no bagageiro do carro quando saía e que, o resto do tempo, ela vivia em um cômodo da casa “onde ninguém ia”. Em 2016, a associação francesa Inocência em Perigo conseguiu estabelecer uma ligação entre os maus-tratos e a “síndrome autista” que vitimou a menina.

Aos sete anos, ela vive com uma família adotiva da região. Segundo pessoas próximas, ela corre, anda de bicicleta mas é incapaz de falar, emitindo sons desconexos. Além de não suportar ficar em um local fechado.