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Francesa que manteve filha por dois anos em bagageiro é condenada a 5 anos de prisão

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A mãe de Serena que escondeu sua filha durante dois anos. Captura de vídeo TF1

A francesa que manteve sua filha, a pequena Serena, por dois anos dentro do bagageiro de um carro foi condenada a cinco anos de prisão. A sentença foi pronunciada nesta sexta-feira (16) pela Corte de Corrèze, com base no longo período de cárcere privado que produziu traumas irreversíveis à criança.


Rosa Maria Da Cruz, de 50 anos, será presa nesta sexta-feira na prisão de Limoges. O presidente da corte disse que a condenação era “flexível” e que a detenta poderia se beneficiar de liberdade condicional.

O levantamento de toda e qualquer autoridade familiar sobre Serena foi confirmado durante a audiência sobre os interesses civis do caso. Mais cedo nesta sexta-feira, Da Cruz declarou que queria “pedir desculpas a Serena” por todo o mal que causou. "Me dei conta de que provoquei muito mal e que não verei nunca mais minha filha”.

“Isso não foi um processo de negação de uma gravidez”, afirmou o advogado geral Olivier Kern, a respeito da teoria da defesa de Da Cruz, que dominou os cinco dias de processo. “Foi o processo de uma dissimulação, responsável pela privação de cuidados e de alimentos, além de diversas violências”, entre elas, isolamento, ausência de contato com o exterior e confinamento em silêncio.

“Dois anos não são duas semanas”, prosseguiu Olivier Kern. “Foi preciso organização, reflexão para esconder uma criança de seus conhecidos, de seu marido”, disse. Serena terá de conviver com diversas sequelas, incluindo uma “síndrome auditiva irreversível”, ligada às condições às quais foi exposta nos primeiros 23 meses de vida.

Criança no porta-malas: relembre o caso

O caso data de 2013 e é descrito como "um espetáculo horripilante" por um dos homens que trabalhavam na oficina mecânica de Terrasson, sudoeste da França, onde Serena, uma menina de dois anos, foi descoberta em um berço portátil dentro do bagageiro de um Peugeot 307. Coberta de excrementos, pálida, sem conseguir manter a cabeça em pé e respirando como se estivesse sufocando, a criança foi encontrada porque a mãe, Rosa-Maria da Cruz, parou no local para resolver um problema no carro.

Segundo os mecânicos, a mulher insistiu para que o bagageiro não fosse aberto "porque estava cheio". Mas um dos funcionários da oficina, Guillaume Iguacel, de 39 anos, ficou intrigado com gemidos vindos de dentro do veículo, que imaginou que fossem de um animal. Sem que a mulher percebesse, o homem resolveu chamar um colega, Denis Latour, de 64 anos, que discretamente abriu o bagageiro e se deparou "com a visão do horror".

Os dois homens contam que Rosa-Maria não parecia incomodada ou constrangida com a situação. Ela chegou a consentir que a criança fosse retirada do bagageiro para que os homens lhe dessem água. "Quando a mãe pegou a menina no colo, foi um horror. A cabeça, os braços, tudo estava desarticulado, seus olhos se reviravam", contou Denis Latour à rádio France Info. As testemunhas acionaram a polícia e os bombeiros, que confirmam, em seus relatórios, que a criança foi encontrada em um ambiente "de odor pestilento e de putrefação".