rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês

Investigação PSG Racismo

Publicado em • Modificado em

Após revelações sobre “fichas étnicas” de recrutamento, PSG será investigado por racismo

media
O clube de futebol francês Paris Saint-Germain disse que não houve racismo FRANCK FIFE / AFP

Uma investigação foi aberta pela delegacia de Paris na sexta-feira (16) para averiguar a denúncia de discriminação contra o time francês Paris Saint-Germain (PSG), de acordo com informações divulgadas nesta segunda-feira (19). A operação ficará nas mãos da Brigada de repressão da delinquência contra pessoa física.


A investigação visa os responsáveis do recrutamento por “tratamento de dados de caráter pessoal sem autorização”, “conservação de dados pessoais que revelam direta ou indiretamente origens raciais ou étnicas” e “coleta de dados de caráter pessoal por meio fraudulento, desleal ou ilícito”.

Um coletivo de mídias europeias, incluindo Mediapart e Envoyé Spécial, revelou no dia 8 de novembro que, de 2013 a 2018, a equipe de recrutamento do PSG mencionou critérios raciais em suas fichas de avaliação dos jovens jogadores. Eles eram classificados como “franceses”, “magrebinos”, “africanos” e “antilhanos”.

As anotações recolhidas nas denúncias são escandalosas. Em 2014, Marc Westerloppe, um dos recrutadores, vetou a entrada de um garoto de 12 anos, nascido na Costa do Marfim. “É preciso ter um equilíbrio na diversidade, há antilhanos e africanos demais no PSG”, escreveu Westerloppe. “É uma pena termos sempre os mesmos perfis no Paris. É uma ordem da direção”, acrescenta. Hoje, o jovem vetado na época, Yann Gboho, é um destaque do FC Rouen.

PSG afirma que não houve caso de racismo

O PSG disse, em sua defesa, que a “ficha étnica” era fruto de uma “iniciativa pessoal do responsável do recrutamento do centro de formação, dedicada aos territórios de fora da região parisiense”. Mas o jornal L’Équipe produziu um documento mostrando que em Paris a prática também era aplicada.

O time francês entregou na quinta-feira (15) o resultado de sua investigação interna à ministra dos Esportes, Roxana Maracineanu. O PSG afirmou que “não houve caso averiguado de discriminação” e anunciou “medidas para reforçar as práticas éticas” no seio do grupo.