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França Combustíveis Fósseis Protestos Emmanuel Macron Violência Vandalismo

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Violência e revolta social crescem na mobilização contra alta de combustíveis na França

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Manifestante exibe cartaz com os dizeres "Indignai-vos: muitos impostos, suicídios e sem-teto. Acorde!" SEBASTIEN SALOM GOMIS / AFP

O quinto dia de manifestações dos "coletes amarelos", franceses revoltados com o aumento de uma tributação ecológica cobrada na venda de combustíveis, registra um menor número de bloqueios a estradas e depósitos de combustíveis nesta quarta-feira (21). Mas incidentes cada vez mais violentos marcam os protestos, que já deixaram dois mortos, 550 feridos e 450 pessoas detidas. O presidente Emmanuel Macron defendeu hoje sanções severas contra "comportamentos inaceitáveis".


A infiltração de extremistas no movimento popular, organizado pelas redes sociais e sem liderança definida, é a principal preocupação do governo francês. As autoridades temem distúrbios de ativistas de extrema direita e anarquistas na grande manifestação convocada pelos "coletes amarelos" para o próximo sábado (24) em Paris.

Nas últimas 24 horas, os incidentes mais graves aconteceram na Ilha da Reunião, departamento ultramarino francês no Oceano Índico. À margem das manifestações dos motoristas, militantes radicais depredaram lojas, incendiaram carros e entraram em confronto com a polícia. Trinta policiais ficaram feridos, incluindo um agente que perdeu a mão com a explosão acidental de uma granada de gás lacrimogênio. Cerca de 40 pessoas foram detidas e o representante do Estado na ilha decretou toque de recolher de 21h à 6h para evitar novos incidentes.

O principal aeroporto de Saint-Denis, a maior cidade da Reunião, teve o tráfego aéreo suspenso por razões se segurança. Os distúrbios já provocaram uma reação das autoridades locais. O presidente da região congelou os preços dos combustíveis na ilha. Cerca de 40% da população da Reunião vive abaixo da linha da pobreza, com rendimento inferior a € 1.190 por mês.

Macron defende resposta "implacável" contra violência

Em reunião do Conselho de Ministros, o presidente Emmanuel Macron defendeu hoje uma resposta "implacável" das autoridades contra "comportamentos inaceitáveis" nas manifestações dos "coletes amarelos", relatou o porta-voz do governo, Benjamin Griveaux.

"Há sofrimentos legítimos que devem ser ouvidos, mas também houve comportamento inaceitável e devemos ser intratáveis na ordem pública", reportou o porta-voz. "Não podemos aceitar os dois mortos, o grande número de feridos entre manifestantes e policiais, nem os incidentes racistas, antissemitas e homofóbicos", acrescentou.

Quinto dia de protestos: 96 pontos de bloqueio

Cerca de 7 mil manifestantes permaneciam mobilizados na manhã dessa quarta-feira. E, fato novo, a ala de Transportes da central sindical Força Operária (FO) decidiu apoiar o movimento dos "coletes amarelos". Até agora, os sindicatos têm guardado distância da mobilização.

Policiais tiveram de intervir para desbloquear o pedágio de Virsac na rodovia A-10, nas proximidades de Bordeaux (sudoeste), saqueado e parcialmente depredado por manifestantes. A refinaria de Lespinasse, na mesma região, permanece bloqueada, assim como o depósito de petróleo de Fondeyre e dois grandes armazéns de contêineres de mercadorias nas proximidades de Toulouse (sudoeste).

A fábrica da montadora PSA Peugeot Citroen de Sochaux (leste) suspendeu a produção pela falta de autopeças, bloqueadas na região sudoeste. Mais ao norte do território, em Bayeux, na Normandia, agricultores, pescadores e trabalhadores remunerados com baixos salários formaram uma barreira para interroper o tráfego com dezenas de tratores.