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França: mãe que escondeu filha no bagageiro terá novo processo

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Rosa Maria Da Cruz e sua advogada Chrystele Chassagne-Delpech durante o primeiro julgamento AFP

A Procuradoria-Geral da República francesa entrou com um recurso pedindo um novo processo para o caso de Rosa Maria da Cruz, que manteve Serena, sua filha recém-nascida, durante 23 meses dentro do porta-malas de um carro. O anúncio foi feito pela Justiça nesta quinta-feira (22).


Os jurados não seguiram as recomendações da Promotoria, que propôs uma pena de oito anos de prisão. O processo acontecerá em Limoges, no centro-oeste da França, e deve durar cerca de cinco dias. A data ainda será determinada. Rosa Maria da Cruz foi condenada na sexta-feira (16) passada a cinco anos de prisão com sursis.

O veredito, que permite que ela deixe rapidamente a prisão, reconhece a culpa da mãe de família “mas possibilita sua libertação para que possa educar seus flhos”, declarou o presidente do tribunal, Gilles Fonrouge.

A advogada de Rosa Maria da Cruz, Chrystèle Chassagne-Delpech, já havia declarado que ela não tinha a intenção de contestar essa decisão. Durante o processo, entretanto, ela defendeu que sua cliente negou a gravidez e a filha, agindo sem ter plena consciência de seus atos.

Serena foi descoberta por acaso no dia 25 de outubro de 2013 pelos mecânicos de uma oficina em Terrasson-Lavilledieu, no sul da França. Rosa Maria Cruz a escondeu desde o nascimento, inclusive do marido e de seus três outros filhos. Em casa, o bebê ficava em um cômodo desocupado. Quando precisava sair, Rosa Maria da Cruz a colocava no porta-malas do carro.

Serena completa sete anos amanhã

A menina, que completará 7 anos nesta sexa-feira (24), estava agonizando quando foi socorrida. Hoje, ela sofre de uma forma de autismo. Para os especialistas que a acompanham, seus problemas psíquicos são consequência direta das privações sensoriais e emocionais que vivenciou.

Rosa Maria da Cruz foi acusada de violências voluntárias em menor de 15 anos, privação de alimentação e cuidados e dissimulação que não permitiu seu registro de nascimento. Enquanto ela não for condenada pela Justiça, beneficiará da presunção de inocência.