rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
  • Holanda : Polícia prende suspeito do ataque em Utrecht
Um pulo em Paris
rss itunes

Ongs francesas convocam boicote à Black Friday e propõem "sexta-feira verde"

Por Adriana Moysés

Várias ONGs e movimentos cidadãos organizam hoje na França a Green Friday, uma sexta-feira verde, com campanhas que incentivam os consumidores a boicotar as promoções da Black Friday para proteger o meio ambiente.

Pelo segundo ano consecutivo, a palavra de ordem de associações e ONGs ecologistas é reduzir o consumo excessivo, que gera montanhas de resíduos e polui o meio ambiente com as consequências já conhecidas para o planeta.

Quem teve a ideia, no ano passado, foi associação Envie, que significa "vontade" em português. Ela recicla e revende eletrodomésticos usados ou seminovos para dar uma segunda vida aos objetos. A iniciativa da Green Friday cresceu e já tem 100 pontos de venda participantes, a maioria lojas que vendem produtos de segunda mão.

Este ano a prefeitura de Paris investiu € 40.000, cerca de R$ 173.000, na campanha. Cada participante vai doar 15% das vendas para várias associações. Em dezembro, a Câmara Municipal vai organizar um "mercado de Natal solidário".

Como vários países, a França importou a moda americana da Black Friday, mas associações de desefa do consumidor, como a UFC-que-choisir (o que escolher, em tradução livre), alertam que as promoções anunciadas são muitas vezes uma enganação.

Propaganda mais convincente que o desconto

A média dos descontos na França é de 2%, segundo cálculos dessas associações, mas a forte propaganda dos lojistas faz os franceses acreditarem que estão fazendo um negócio muito melhor na Black Friday, economizando mais dinheiro do que na realidade.

Muita gente vai à loja com a ideia de comprar um produto e acaba levando cinco, e esse é o problema: a intensificação do consumo. Sem falar que existem promoções ao longo do ano todo, a Black Friday é só mais uma.

Adesão de lojas ainda é fraca, mas tende a crescer

A campanha da ONG Lixo Zero (Zero Waste) é chamar a atenção para o consumismo. Ninguém vai dizer a alguém que não tem uma geladeira para não comprar o eletrodoméstico, mas não é preciso comprar tudo o que aparece de novo, por exemplo, no mercado de eletroeletrônicos, que gera muito resíduo, emprega metais raros e é terrivelmente poluente. Ninguém precisa trocar de TV todo ano, a cada modelo novo que aparece, como virou moda.  

A Greenpeace pede aos franceses para boicotar a Black Friday e lançou uma operação especial em 34 países, incluindo França e Alemanha, para incentivar os consumidores a fabricar, reciclar e reutilizar os objetos que têm em casa. A campanha começou hoje e vai até 2 de dezembro. O objetivo é mostrar que o comportamento de cada um pode ter impacto no meio ambiente. Além da Black Friday, a Greenpeace visa também a Cyber Monday, na próxima segunda-feira (26), um dia de descontos em sites de vendas de computadores e outros produtos de novas tecnologias na internet.

No Twitter, as hastags #boicote e #greenfriday, com comentários de que esse modelo de consumo está esgotado, aparecem com frequência bem maior do que no ano passado. Uma loja de móveis e objetos de decoração chamada Camif, há 70 anos no mercado e que atualmente só vende pela internet, fechou o site para vendas hoje e decidiu não participar da Black Friday.

Na home da loja, o cliente encontra a seguinte mensagem: “Neste dia de excesso de consumo global, vamos parar para pensar sobre nossas compras e o impacto que elas têm na economia e no mundo ao nosso redor." E ainda convida as pessoas a votar num campo onde está escrito: "Eu não quero um mundo submerso com produtos feitos sem respeito pelo homem nem pelo planeta.”

Reciclagem de produtos atrai cada vez mais consumidores

A rede Envie, que significa “vontade” em português, especializada no conserto e na revenda de eletrodomésticos usados e seminovos, faz um dia de portas abertas em seus ateliês. Os franceses podem levar os aparelhos quebrados que têm em casa e ver como a troca de uma peça barata às vezes é suficiente para reabilitar um eletrodoméstico. É possível gastar € 10 (R$ 23) para consertar uma torradeira em vez de comprar uma nova por € 60 (260).

Até por questões de falta de espaço em casa, os franceses ainda são menos consumistas do que outros vizinhos também ricos. Mas o fato de o país ter uma enorme classe média é explorado de maneira agressiva pelos lojistas e pela indústria. O consumismo é um fenômeno que aumentou consideravelmente nas últimas décadas, principalmente entre as novas gerações de franceses.

A expectativa do comércio francês nesta Black Friday é faturar cerca de R$ 25 bilhões, € 5.740 bilhões, até a segunda-feira (26). O poder da propaganda é evidente: há dois anos atrás, 58% dos franceses diziam ter ouvido falar na Black Friday, este ano eles são 91%.

Associações propõem que políticos franceses vivam 15 dias “na pele de um pobre”

Humoristas francesas de stand up dão novo fôlego às causas feministas

Francês se aposenta com 62 anos, mas contribui 40 anos para receber a metade do que ganhava na ativa

Incêndios na mesma semana em CT do Flamengo e Paris levantam questões de segurança

Prostituição: Conselho Constitucional da França valida lei que pune clientes

“Coletes amarelos”: Macron organiza debates com franceses e reconquista popularidade

Depredação de radares vira "basta" a suposta "indústria da multa" na França

Fracasso de “Passe Livre” em Paris levanta debate sobre transporte gratuito nas metrópoles

Franceses enfrentam 2019 com imposto retido na fonte e multiplicação de movimentos sociais

Paris mantém magia de Natal em meio à crise social dos "coletes amarelos"

Segurança reforçada na França para 5° fim de semana de protestos dos “coletes amarelos”

Manifestação de "coletes amarelos" fecha lojas, museus e cancela eventos em Paris

Movimento dos “coletes amarelos” contesta fim de imposto para os mais ricos na França

Movimento dos “coletes amarelos” une extrema direita e esquerda radical na França

Cemitérios parisienses são ricos em história, cultura e biodiversidade