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Paris se prepara para protesto de coletes amarelos no sábado

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A imprensa francesa comenta a mobilizacao dos coletes amarelos no sábado, em Paris REUTERS/Jean-Paul Pelissier

Paris se prepara neste sábado (24) para uma manifestação dos coletes amarelos. Quantos vão vir? É ainda uma incógnita desse movimento que surgiu espontaneamente nas redes sociais, em protesto contra o aumento do preço dos combustíveis e que tomou proporções nacionais e ultramarinas. O presidente Macron prometeu medidas para terça-feira, mas, enquanto isso, sua popularidade despenca.


A convocação está sendo feita, mais uma vez, pelas redes sociais. Os manifestantes queriam a praça da Concorde, um cruzamento de várias artérias, como ponto de encontro. Mas o governo concordou com uma concentração nos Champs de Mars, os Campos de Marte, ao pé da Torre Eiffel, um local “com condições de segurança necessárias”, segundo o ministro do Interior francês, Christophe Castaner, citado pelo jornal Le Figaro. Mesmo assim, alguns manifestantes insistem em se encontrar na praça da Concorde, enquanto outros insistem na rotatória da avenida Champs-Elysées.

Uma página Facebook diz: “pedimos ao governo para parar de nos ouvir e começar a nos escutar, o presidente Macron vai ter de tomar decisões e medidas, o governo deve entender que vamos continuar com as ações”.

Número de participantes é incógnita

O site do jornal Figaro diz que é impossível estimar quantas pessoas vão participar da ação. As páginas de convocação no Facebook são inúmeras, diz o jornal, e só uma delas já conta com mais de 33 mil internautas que dizem que vão estar no ato e outros 207 mil interessados.

O Figaro também observa que os coletes amarelos não levaram em consideração outra marcha importante marcada para o sábado na capital francesa, contra as violências sexistas e sexuais, que vai começar na Opéra, a poucos quilômetros da Torre Eiffel.

Em editorial, o jornal L’Humanité, de esquerda, diz: “à sua maneira, discutível, os coletes amarelos são a expressão de uma cólera que vinha sendo incubada há meses, e são também a expressão de uma crise política real”.

Raiva e frustração

A mobilização dos coletes amarelos, parte do kit de segurança obrigatório de todo carro na França, se espalhou feito pólvora desde o último final de semana. À raiva contra o aumento dos combustíveis, juntaram-se a frustração pela queda do poder aquisitivo e perdas sociais.

Foram muitos episódios de violência, com feridos graves e uma pessoa morta. Houve também vários incidentes polêmicos, em que coletes amarelos foram flagrados insultando imigrantes e homossexuais.

O jornal Libération traça duas tendências de análise. “Para alguns, principalmente entre o governo e camadas mais prósperas e diplomadas, é simples: os coletes amarelos são um bando de broncos poluidores e viciados em carros, que bloqueiam as estradas ilegalmente”, diz o diário. “Para outros, os partidos de oposição, militantes sociais ou intelectuais de esquerda, trata-se apenas da cólera justificada de um povo esquecido”, acrescenta o Libé.

Preços aumentam, popularidade cai

O presidente Emanuel Macron declarou que vai anunciar medidas na próxima terça-feira. Parelamente, o índice de popularidade do presidente francês continua em queda livre, pelo quinto mês consecutivo. Segundo a pesquisa BVA Orange, anunciada nesta sexta-feira (23), 73% dos franceses desaprovam o governo de Macron.