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Protestos

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Macron expressa vergonha pela violência dos protestos em Paris

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Segundo as autoridades, 8000 manifestantes se reuniram em Paris nesse sábado 24 de novembro de 2018. REUTERS/Benoit Tessier

O Presidente Emmanuel Macron expressou sua "vergonha" com a violência que marcou os eventos dos "coletes amarelos" nesse sábado (24) em Paris, denunciando aqueles que atacaram a polícia e agrediram outros cidadãos.

 


Num tuíte publicado no início da noite, o presidente agradeceu às forças de segurança por sua coragem e profissionalismo. “Vergonha para aqueles que os agrediram e aqueles que agrediram outros cidadãos e jornalistas”, escreveu o chefe de Estado.

Antes dessa reação, o Palácio do Eliseu não havia feito nenhum comentário sobre mais esse dia de protesto contra o aumento de impostos sobre os combustíveis e os reflexos no poder de compra dos franceses.

Em uma coletiva de imprensa, o ministro do Interior, Christophe Castaner, denunciou episódios de violência em vários lugares da França, que resultaram em 130 detenções, 42 só em Paris. Segundo informou Castaner, os coletes amarelos mobilizaram 106 mil pessoas nesse sábado, num total de 1.619 ações. Bem menos do que os 244 mil manifestantes que participaram dos atos no último sábado (17).

Desordem urbana

Barricadas queimadas, fumaça, semáforos arrancados, calçadas depredadas. Esse foi o cenário das manifestações na famosa avenida Champs-Elysées, no centro de Paris. Os policiais revidaram com jatos d’água e bombas de gás lacrimogênio.

Desde o início da manhã, manifestantes vindos de várias regiões da França se encontraram nas ruas de Paris. O governo estimou a presença de oito mil coletes amarelos na capital.

O centro do protesto estava marcado para acontecer no Champ-de Mars, ao pé da Torre Eiffel, um local que tem condições de segurança e por isso foi escolhido para acolher o movimento. Porém, muitos se recusaram a protestar no local programado. Cerca de três mil pessoas tentaram descer a avenida Champs Elysées, até o Palácio Presidencial, e foram barradas pelas forças de ordem.

Houve confrontos com os policiais. Vitrines de lojas de luxo e as mesas de alguns cafés foram vandalizadas. Os manifestantes colocaram fogo em diversos objetos e jogaram pedras contra os policiais.

Uma parte de Paris foi interditada à circulação, incluindo a região da Assembleia Nacional, a Praça da Concórdia, o Palácio do Eliseu e o Matignon, local de trabalho do primeiro-ministro.  Por questões de segurança, a Torre Eiffel ficou fechada durante todo o dia.

Um efetivo de 3 mil homens foi convocado para proteger os locais mais sensíveis da capital, como estradas, vias-férreas e grandes eixos de transporte.  

Os "coletes amarelos" são um movimento criado nas redes sociais e alimentado pelo descontentamento, principalmente da classe média-baixa francesa.

O símbolo, o colete amarelo, faz parte do kit de segurança obrigatório de todos os carros na França e hoje representa a raiva contra o aumento dos combustíveis, a frustração pela queda do poder aquisitivo e perdas sociais.

Desde o início da mobilização, no sábado passado, foram registradas duas mortes e mais de 600 pessoas ficaram feridas.

No início da noite a situação já era tranquila na Champs-Elysées, enquanto equipes de limpeza e bombeiros limpavam o local das manifestações.

O presidente Emmanuel Macron deve anunciar novas medidas na próxima terça-feira, quando pretende reunir ongs, sindicatos e a sociedade civil para falar sobre a transição ecológica.