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Principal desafio da CBF na preparação para Copa do Mundo de futebol feminino é reunir jogadoras

Por Stephan Rozenbaum

Poucos dias depois do sorteio que definiu os adversários da Seleção Brasileira feminina de futebol para próxima Copa do Mundo na França, a RFI conversou com os principais nomes da comissão técnica brasileira: o treinador Vadão e o coordenador de seleções femininas da CBF, Marco Aurélio Cunha.

A Seleção Brasileira Feminina conheceu no sábado passado (08), em sorteio realizado em Paris, os adversários da fase de grupos da Copa do Mundo França 2019. “Acho que nossa chave ficou muito bem equilibrada. A Austrália tem uma bela equipe. O Brasil sempre vai com a intenção de tentar ganhar o título que ainda não conquistou até hoje. A Itália teve uma ascensão muito grande nos últimos dois anos, por isso chegará mais fortalecida do que em outras oportunidades. A única surpresa do grupo é a Jamaica que é uma equipe que nós nunca encontramos. Me parece que é a primeira vez que ela está chegando à Copa do Mundo”, ressaltou Vadão.

“A Austrália, nós conhecemos muito bem, pois jogamos frequentemente com eles, em amistosos e torneios. Já a Itália evoluiu bastante, o investimento no futebol feminino no país tem sido muito grande. Temos até uma atleta da seleção, a Thaisa, que joga lá [em Milão], então eu acredito que a chave ficou bem equilibrada”, afirmou o comandante da equipe feminina.

Jogadoras espalhadas pelo mundo

Mas, se para Vadão, o grupo está equilibrado, a preocupação está em outro setor: conseguir reunir todas atletas para os treinamentos. “O fato de nossas atletas estarem espalhadas pelo mundo todo é um problema para nossa preparação. Por exemplo, a seleção masculina nossa, com o Tite, tem a maioria dos jogadores na Europa. Então é fácil, é um calendário só. As nossas atletas, não. Temos várias atletas na Europa, disputando campeonato neste momento. E nós temos outras atletas que jogam nos Estados Unidos, que estão de férias há dois meses, paradas. Nós temos também as meninas da Coreia e da China que também estão de férias”, contou o técnico.

“Nós vamos tentar negociar com os clubes desses países, para que essas meninas fiquem com a gente fazendo uma base aqui durante dois meses. E depois, na segunda data FIFA, que é final de fevereiro para março, onde teremos um torneio nos Estados Unidos, terminando, a gente manda as meninas de volta para os clubes”, explicou Vadão. “A ideia é aproveitar esses dois meses, não deixá-las paradas e fazer uma fase de treinamento. Isso já está tudo certo e organizado, nós só precisamos da confirmação dos clubes, mas me parece que não vai ter problema. Sem isso, nós não teremos condição de reunir todas as atletas, porque cada uma está em um país e os calendários são totalmente diferentes”, completou.

O coordenador Marco Aurélio Cunha também ressaltou a dificuldade de reunir as meninas. “As seleções como por exemplo a França, os Estados Unidos, a Espanha, elas têm as suas atletas jogando em seus países. Já o Brasil tem quase todas suas atletas no exterior. Quando eu entrei aqui, eram somente três jogando fora. Hoje são mais de cinquenta. E para conseguir dar uma uniformidade de treinamento, é uma dificuldade. Esse vai ser o nosso desafio, conseguir dar um padrão tático e físico para essas meninas antes da Copa do Mundo”, destacou.

Apenas a oitava edição

A Copa do Mundo de futebol feminino na França será a oitava edição. A primeira só aconteceu em 1991, 61 anos depois da criação da competição masculina. Para Marco Aurélio isso mostra como o futebol feminino ainda tem espaço para crescer. “Eu costumo dizer que o futebol masculino é uma via congestionada pré-feriado, quando você vai pra praia. O outro lado, o oposto, é o feminino. Ninguém voltando. Então temos uma via congestionada, o futebol masculino, onde praticamente tudo já foi feito, e o feminino, que é uma via aberta para ideias, novos recursos, novos jogos, uma visão diferente do mesmo futebol. Então eu acho que há uma grande oportunidade, neste momento, de se desenvolver”, ressaltou.

Pela primeira vez, a principal emissora brasileira, a Rede Globo, irá transmitir os jogos do mundial feminino na televisão aberta. Um reconhecimento que agrada o técnico brasileiro. “Eu acho ótimo. A gente vive se queixando, no Brasil, que a grande mídia não dá valor ao futebol feminino, então quando chega no mundial ou na Olimpíada, é quando a grande mídia aparece. Então nós precisamos disso. É obvio que a pressão aumenta, mas para nós não importa. Culturalmente o Brasil é um país de muita pressão em cima do futebol, independentemente de ser feminino ou masculino. O masculino sofre uma pressão mil vezes maior do que o feminino. Mas o feminino, nessas ocasiões, também é pressionado”, explicou Vadão.

Pressão não pode atrapalhar

“A minha carreira foi construída dentro do futebol masculino então eu estou acostumado com isso. Para mim não vai mudar nada. E para as meninas também não deve mudar, porque a gente sempre reclama que a grande mídia não dá atenção. Então nós vamos ter a TV Globo, que é a televisão com maior audiência no Brasil, transmitindo, então nós não podemos nos queixar. Nós temos que agradecer, já que é uma grande oportunidade de apresentarmos um bom futebol e divulgar mais a nossa modalidade dentro do país”, afirmou o técnico.

No entanto, Marco Aurélio Cunha fez uma ressalva. “Eu lamento só que a transmissão da Copa seja sem o embasamento prévio do que foi chegar à Copa. Porque todos serão julgados pelo resultado no mundial, onde só um vai ganhar. Mas ninguém viu a trajetória e a dificuldade que foi de se classificar para uma Copa do Mundo. Então os nossos jogos, como os do Chile, onde ficamos um mês disputando uma Copa América difícil e fomos campeões, esse trajeto não se fala. Vão falar somente do resultado final, onde só um vai ganhar. Então nós vamos ter uma seleção vitoriosa e o restante vai ser criticada. O que não é legal”, concluiu o coordenador de seleções femininas da CBF.

A Copa do Mundo de futebol feminino, que acontece na França, tem o pontapé inicial marcado para o dia 7 de junho de 2019 e a final no dia 7 de julho em Lyon.

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