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Um pulo em Paris
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Paris mantém magia de Natal em meio à crise social dos "coletes amarelos"

Por Adriana Moysés

A mobilização dos "coletes amarelos" continua em todo o país, mas os locais das manifestações deste sábado (22) ainda estão confusos. Apesar da atmosfera de crise social, entre um protesto e outro os franceses buscam aproveitar a intensa programação das festas de fim de ano na capital francesa.

Alguns "coletes amarelos" convocam novas ações em Paris e nas fronteiras da França com os países vizinhos. Nas redes sociais, circulam convocações para manifestações pacíficas na capital, na praça da Ópera, República, em La Défense e até em Versalhes. Por medida de segurança, o Palácio de Versalhes ficará fechado aos turistas neste sábado.

Durante a semana, as autoridades desmantelaram 170 acampamentos erguidos pelos "coletes amarelos" nas estradas, em áreas de pedágio e rotatórias de acesso a zonas comerciais, mas militantes aguerridos continuam organizando ações pelas redes sociais. Alguns grupos querem celebrar o Ano Novo na avenida Champs Elysées, ponto de encontro dos turistas no dia 31 de dezembro.

Violência espantou turistas

As imagens da violência em Paris durante os protestos espantam os turistas, embora os enfrentamentos só aconteçam aos sábados. A economia francesa já sente o baque causado pelo movimento social. Segundo previsões divulgadas hoje, a França poderá perder até 0,5 ponto de crescimento do PIB em 2019. O comércio e o turismo são os setores mais prejudicados.

As medidas anunciadas pelo presidente Emmanuel Macron abriram caminho para novas reivindicações. Como o governo acabou cedendo, os "coletes amarelos" querem manter a pressão contra as políticas consideradas muito liberais de Macron. Cerca de 70% dos franceses continuam apoiando as reivindicações por aumento de salários, das aposentadorias e pela participação direta dos cidadãos em referendos de iniciativa popular para influenciar as políticas do país.

O movimento tem adquirido uma conotação política bem mais pronunciada. Os "coletes amarelos" querem lançar candidaturas para as eleições ao Parlamento Europeu, em junho do ano que vem, e são incitados a manter a pressão tanto por políticos de extrema direita quanto de extrema esquerda.

Cidade tem intensa programação de festas

Pode parecer que Paris está em "guerra civil", mas é uma imagem exagerada. A cidade continua linda e vibrante, à exceção dos sábados de manifestações. As ruas estão decoradas e bonitas como sempre estiveram para o Natal. O parisiense está apenas mais comedido, consciente da gravidade da crise social.

Para os franceses, apesar do tempo chuvoso e frio que faz nessa época do ano, o período de festas é sinônimo de magia, de se andar na rua para admirar a decoração das vitrines, a iluminação pública, as árvores enfeitadas em cada praça.

Esqui de fundo na margem do Sena

A partir deste sábado e até 2 de janeiro, a prefeitura de Paris programou uma série de atividades gratuitas nas margens do rio Sena (Rives de Seine), praticamente no mesmo local onde no verão instalam a praia de Paris. Os visitantes poderão jogar curling no gelo, fazer esqui de fundo, biathlon, muro de escalada, sempre à partir de 13h.

Das 17h até meia-noite, haverá projeção de imagens entre duas pontes próximas da Catedral de Notre Dame. Em uma área de 1.100 metros quadrados serão exibidos filmes sobre as reações dos animais na floresta quando chegam os primeiros flocos de neve, como é a vida dos habitantes de Paris e outras animações.

Patinação com vista panorâmica em La Defense

A patinação no gelo é um programa tradicional na época das festas. Este ano a Torre Eiffel não montou a pista de patinação no primeiro andar. Por outro lado, pelo segundo ano consecutivo foi instalada uma pista de patinação com vista panorâmica de 360 graus no teto do Arco de La Defense, o bairro financeiro perto da capital. Outra opção é a pista gigante do Grand Palais, na região da Champs Elysées, além de pistas menores, no Jardim das Tulherias (em frente ao Museu do Louvre) e no Jardim de Aclimatação. Algumas são gratuitas.

Outro programa típico dessa época são os mercadinhos de Natal. O maior deles está instalado nas Tulherias, com 120 barracas. É o momento forte do ano também para espetáculos de circo, musicais, balés, peças de teatro e shows de humoristas. No inverno, o francês se dedica à agenda cultural em espaços fechados. As grandes empresas também presenteiam os empregados com ingressos para espetáculos, assim a cultura se mantém viva.

Natal solidário

Todo fim de ano ano a imprensa francesa busca chamar a atenção sobre as pessoas que vivem sozinhas, numa tentativa de despertar o calor humano. Depois da criação dos grupos de bairro nas redes sociais, com aplicativos próprios e sites de compartilhamento entre vizinhos (Mesvoisins.fr e Nextdoor.fr), é nítida a tendência de se romper com esse isolamento.

Esta semana, a mídia exibiu várias reportagens sobre iniciativas solidárias, sobre vizinhos que convidaram pessoas isoladas desconhecidas para a ceia de Natal. A França é um país de tradição cristã e engajamento social, berço de grandes ONGs humanitárias. As redes sociais reforçam essa vocação.

Uma das redes mais em evidência atualmente chama-se L'Entourage, que põe em contato vizinhos, lojistas, sem-teto e refugiados. O ator e diretor de cinema Louis Garrel, que está lançando seu novo filme – "O Homem Fiel" –, revelou esta semana que tem o aplicativo solidário instalado em seu telefone.

O sistema funciona por bairro. Um sem-teto sinaliza para a vizinhança que está precisando de alguma coisa específica – um casaco, um cobertor, um banho –, enquanto lojistas anunciam pontos de distribuição de comida ou outro tipo de produto para pessoas carentes. Com a facilidade da geolocalização, essas redes solidárias estão crescendo muito em Paris.

 

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