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Manifestantes pedem fechamento de bar de extrema direita na França

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Imagem da reportagem da TV qatari Al Jazeera sobre bar de extrema direita. Print Youtube Al Jazeera

Cerca de 300 pessoas manifestaram em Lille, no norte da França, neste domingo (23) pedindo o fechamento de um bar privado do grupo de extrema direita Geração Identitária. O estabelecimento é alvo de uma investigação preliminar após a divulgação de um documentário feito pela televisão do Catar, Al Jazeera, mostrando mensagens de incitação ao ódio.


“Todos detestam os fascistas” era a mensagem estampada na faixa carregada pelos manifestantes, membros da associação Ação Antifascista. Eles também gritaram “Todos detestam [o bar] La Citadelle!” e “Fogo no Citadelle, facistas no meio!”.

“Considero que não é normal um bar que contribui à difusão de ideias fascistas e que fazem apologia à violência”, disse Maëlle, de 25 anos. “É inquietante viver numa sociedade onde existe esse tipo de grupo fascista e é ainda mais inquietante que o poder público não reaja”, estimou Jessy, de 38 anos.

O bar foi aberto em setembro de 2016, unicamente acessível aos aderentes e já foi alvo de um outro protesto, que reuniu cerca de 500 pessoas. “As declarações racistas e os atos violentos planejados são insuportáveis”, afirmou, no começo de dezembro, o governador da região Norte, Michel Lalande, em um comunicado, antes de anunciar que havia acionado a justiça.

A prefeita de Lille, Martine Aubry, denunciou em uma carta, enviada à imprensa e ao procurador da cidade, as palavras de “incitação à violência e ao ódio racial” e “que fazem sem dúvida alguma apologia ao regime nazista”. “A reportagem chocante e inacreditável mostra fatos gravíssimos e a sociedade precisa trazer uma resposta jurídica a isso”, completou a prefeita, que pediu também que o bar de extrema direita fosse fechado.

Na reportagem de Al Jazeera, membros do Geração Identitária aparecem filmados por câmeras escondidas. Vários frequentadores do local se gabam de assédio racial contra pessoas de origem árabe e algumas cenas mostram um ataque a uma mulher magrebina. Pouco antes da ação, vemos homens brindando o “Terceiro Reich”.

"Eu compro uma arma e faço um massacre"

“No dia em que eu souber que tenho uma doença incurável, eu compro uma arma e faço um massacre, contra, por exemplo, uma mesquita. Sabendo que morreria por causa de uma doença, prefiro ser morto pela polícia”, afirma um dos clientes do bar. A matéria mostra também que existem conexões entre o Geração Identitáriae o partido de Marine Le Pen, Reagrupamento Nacional.

“La Citadellenão pode ser reduzido a algumas opiniões de pessoas que não têm nenhuma legitimidade, são pessoas que estavam somente de passagem, que nunca participaram a nenhuma ação do Geração Identitária”, disse Aurélien Verhassel, responsável do grupo de extrema direita.