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França aguarda com ansiedade novo livro de Michel Houellebecq, após vazamento de trechos

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Novo livro de Michel Houellebecq, Serotonina, é aguardado com ansiedade na França BORIS ROESSLER / DPA / AFP

A França aguarda com expectativa o novo livro do escritor Michel Houellebecq, autor de “Submissão”, de 2015 – a obra causou polêmica ao contar a história da chegada de um presidente mulçumano no país e foi publicada no dia do atentado contra o jornal satírico Charlie Hebdo. “Serotonina”, romance que será lançado em 4 de janeiro, também já chegou chamando atenção: a editora havia imposto um embargo sobre todo o conteúdo do livro, para guardar suspense, mas duas grandes revistas francesas, Les Obs e Les Inrocks, vazaram detalhes sobre a trama antes da data prevista.


Com 347 páginas, “Serotonina” terá 320.000 exemplares em sua primeira edição, um número impressionante para a França e que se justifica pela reputação do autor. Vencedor do prêmio Goncourt de 2010 por “O mapa e o território” e autor do célebre “Partículas Elementares”, Houellebecq conseguiu construir um nome renomado entre a classe literária ao mesmo tempo em que “se beneficiava” de um marketing às vezes macabro. “Plataforma”, lançado alguns dias antes do atentado de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, faz menção, em seu fim, a um ataque de islâmicos radicais.

A serotonina, substância escolhida por Houellebecq para ser título do livro, é um “neurotransmissor associado à felicidade”, de acordo com os sites médicos. Ela está presente no cérebro, no sangue, nos intestinos e nos tecidos do corpo humano, além de ter impacto na administração do sono, da agressividade ou da depressão.

O nome não poderia ser mais apropriado para a sétima obra de Michel Hoellebecq, que conta a história de Florent-Claude Labrouste, de 46 anos, funcionário do ministério da Agricultura – e totalmente deprimido. O site da rádio FranceInfo classicou o livro como o mais “houellebecquiano” de todos, a começar pelo fato de que o herói é um “protótipo perfeito” do autor.

Dos risos às lágrimas

Afundado numa relação em vias terminais, Florent-Claude decide “desaparecer”. A fuga é organizada em algumas horas e o personagem se instala num hotel no 13° distrito de Paris. Mas seu plano cai por terra quando ele começa a se sentir só e deprimido. O uso de um medicamento antidepressivo é o começo de uma viagem onde o autor guia o leitor ao passado do personagem: seus amores, seus amigos, suas viagens pela Normandia, região norte da França.

O livro também funciona como crítica da sociedade francesa e ocidental, como foi o caso em suas obras passadas. A fórmula de uma descrição afiada e dura da “geografia social” parisiense funcionou bem para outros autores contemporâneos, como Virginie Despentes, que criou o fantasmagórico universo de Vernon Subutex.

Em “Serotonina”, Houellebecq fala de alcoolismo, pedofilia, da “burguesia ‘ecorresponsável’” parisiense e, claro, de religião. “Nenhuma sociedade humana foi construída através da remuneração do trabalho (...) O dinheiro é destinado a mais dinheiro e acompanha o poder, essa sempre foi a ordem da organização social”, escreve o autor.

Na obra, também há cenas de sexo, que tem uma importância vital para Florent-Claude, assim como o amor romântico. Segundo a crítica francesa, Houellebecq leva dos risos às lágrimas, num passeio pelas emoções humanas. O Charlie Hebdo preferiu não comentar o livro. “Vamos nos abster de falar mal: da última vez, isso não nos trouxe coisas boas”, ironizou o jornal.