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Após aumento de matrícula em universidades públicas na França, candidatura de estrangeiros cai em 10%

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Estudante numa sala de aula da Universidade Paris I Pantheon-Sorbonne. STEPHANE DE SAKUTIN / AFP

O número de inscrições de estudantes estrangeiros vindos de fora da União Europeia caiu em 10%, anunciou nesta terça-feira (5) o órgão Campus France. Nesse ano, entra em vigor a medida do governo do presidente Emmanuel Macron, que aumenta de € 243 a € 2.770 e de € 380 para € 3.770 as taxas de matrícula para o mestrado e o doutorado, respectivamente.


O processo de pré-inscrição, que acontece enquanto os candidatos ainda estão em seus respectivos países, foi encerrado na maioria das 42 nações que fazem parte da plataforma Campus France, responsável por guiar os estrangeiros que querem estudar na França. Segundo os dados provisórios de 2019, 28.294 candidaturas foram depositadas, 10% a menos do que no ano passado.

Alguns subiram em número de inscrições, como o Senegal (+11,34%), o Mali (+5,66%), o Benin (+8,21%), a Rússia (+8,95%) e a China (+8,62%). Entretanto, outros registraram uma forte queda, como a Argélia, (-22,95%), o Vietnã (-19,72%), a Tunísia (-16,18%), o Marrocos (-15,5%), a Costa do Marfim (-10,39%) e a Turquia (-6,62%).

Interrogado na Assembleia Nacional, a ministra do Ensino Superior, Frédérique Vidal, não mencionou a queda de 10%. Ela preferiu falar de uma “estabilidade nas pré-inscrições”. O governo francês espera, com o aumento nos preços, melhorar a infraestrutura das faculdades francesas e conceder mais bolsas. A França quer chegar, até 2027, a 500.000 estudantes estrangeiros. Atualmente, eles são 300.000.

Resistência no ensino

Cerca de quinze universidades afirmaram que usariam todas as possibilidades regulamentares existentes para permitir que os estudantes permaneçam com as tarifas antigas, bem menos caras. A faculdade Lumière Lyon 2 disse que o aumento nas taxas "não parece relevante ou justo porque diz respeito a alguns dos estudantes financeiramente mais frágeis e isso prejudica o princípio da igualdade de tratamento entre os beneficiários de serviços públicos".

“Essa medida brutal e cínica é fruto de uma reflexão a curto prazo”, afirmou, ao jornal Le Monde, Christophe Prochasson, reitor da EHESS (Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais), onde 37% dos doutorandos são estrangeiros. “Por trás dessa decisão financeira, temos o risco de esvaziar cientifica e intelectualmente nosso país”.

Segundo Philippe Saltel, professor na universidade de Grenoble, as bolsas prometidas pelo governo “não serão suficientes”. “Nós temos uma responsabilidade, como membros da comunidade francófona, de permanecer abertos”, declara, ressaltando que pelo menos 80.000 estudantes vêm de países africanos como Marrocos, Argélia, Tunísia e Senegal.

“A gratuidade é um princípio fundamental de nossa universidade, mas tendo em vista o sufoco financeiro e a insuficiência dos recursos do Estado, sentimos que chegamos ao limite de nosso modelo”, lamenta François-Olivier Seys, vice-presidente do curso de Relações Internacionais da Universidade de Lille.