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Um pulo em Paris
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Incêndios na mesma semana em CT do Flamengo e Paris levantam questões de segurança

Por Adriana Moysés

O maior jornal esportivo da França, o L'Equipe, repercute o "incêndio dramático" ocorrido na madrugada desta sexta-feira (8) no Centro de Treinamento do Flamengo, na zona oeste do Rio de Janeiro. "Seis jogadores com idades entre 14 e 17 anos e quatro funcionários morreram", lamenta o jornal, "menos de 24 horas depois de uma tempestade tropical" que matou seis pessoas, "outro desastre que se abateu sobre a cidade maravilhosa". Em Paris, um incêndio ocorrido na madrugada de terça-feira (5) deixou o mesmo número de vítimas.

Assim como aconteceu em Paris, o balanço de vítimas no CT do Flamengo foi agravado por acontecer durante a madrugada, quando as pessoas dormiam. L'Equipe relata o desespero dos familiares que correram para o local. Diante da tragédia, muitos jogadores do futebol brasileiro e mundial enviaram suas condolências, diz o correspondente do diário no Rio, Eric Frosio.

"Ex-jogadores que passaram pelo CT do Flamengo também expressaram sua tristeza. Este é o caso das duas últimas pepitas: Vinicius Junior (Real Madrid) e Paquetá (AC Milan). Neymar, Zico e Romário fizeram o mesmo." A partida entre Flamengo e Fluminense, no sábado (9), válida pelas semifinais do Campeonato Carioca foi adiada", conta o L'Equipe.

O canal de TV France 24, que faz parte do grupo da RFI, mobilizou a correspondente no Rio. Fanny Lothaire tem feito entradas ao vivo nos telejornais para dar informações sobre as investigações.

O canal LCI lembra que o bairro de Vargem Grande, na zona oeste, foi um dos mais atingidos pelos temporais esta semana no Rio.

França tem normas drásticas de segurança

Paris também teve um incêndio trágico na última terça-feira (5). Dez pessoas morreram e 96 ficaram feridas, incluindo oito bombeiros, depois que uma mulher com distúrbios psiquiátricos ateou fogo no prédio residencial onde morava, em um bairro nobre da capital. Apesar da legislação francesa ser rigorosa na prevenção de incêndios, no caso deste incidente a localização do prédio dificultou o trabalho dos bombeiros.

O edifício de 8 andares, construído nos anos 1970, ficava de fundos, atrás de outro prédio da mesma altura, o que dificultou o acesso dos 250 bombeiros mobilizados para apagar as chamas. Eles não puderam usar caminhões equipados com escadas Magirus e precisaram salvar os moradores com a ajuda de escadas e cordas que foram deslocadas de uma janela para outra dos apartamentos. O imóvel possuía 72 estúdios. Os bombeiros precisaram de 5 horas para apagar o fogo.

Detector de fumaça nos apartamentos

Desde 2015, a França dispõe de uma legislação que obriga a instalação de um detector de fumaça, com alarme de incêndio, em todos os apartamentos residenciais do país. As vistorias são raras, mas os infratores sabem que em caso de sinistro, se for constatado que não tinham o equipamento em casa, as seguradoras não pagarão as indenizações previstas nos contratos contra incêndio. Especialistas notam, no entanto, que faltam extintores nos prédios residenciais com menos de 15 andares, o que também deveria ser obrigatório.

Segundo dados do Ministério do Interior, em 2016 os bombeiros franceses realizaram 285.660 intervenções ligadas a incêndios, socorreram 13.759 vítimas e constataram 289 mortes pelas chamas.

Logo após o incêndio na torre Grenfell, que deixou mais de 70 mortos em junho de 2017 em Londres, as autoridades francesas disseram se orgulhar de ter um sistema que impõe uma série de normas para os arranha-céus de mais de 15 andares e afirmam que esse tipo de tragédia dificilmente aconteceria no país.

Em cidades como Paris, boa parte dos prédios não ultrapassam os 8 andares. Porém, basta sair um pouco do centro rumo às periferias e alguns bairros limítrofes, como a zona empresarial de La Défénse ou até mesmo o 13° distrito parisiense, conhecido como um dos bairros chineses da cidade, para se deparar com prédios que podem ultrapassar 20 andares.

Pensando em garantir a segurança nessas construções, várias normas foram criadas para evitar incêndios ou, pelo menos, impedir sua propagação. As medidas, em vigor desde 1986, devem ser respeitadas por todos os conjuntos habitacionais com mais de 50 metros de altura (cerca de 15 andares) ou os prédios de mais de 28 metros que são abertos ao público, como hotéis ou escritórios.

Quais são as regras?

A primeira regra em termos de construção é que o prédio seja compartimentado, dividido em espaços selados, afim de evitar a propagação do fogo. Além disso, esses arranha-céus devem ser equipados com duas escadas por compartimento e os elevadores têm que ser programados para continuar funcionando nas zonas que não foram afetadas por um incêndio. Uma perícia técnica é realizada a cada ano para verificar se o dispositivo funciona.

Além disso, os arranha-céus franceses são obrigados a dispor de três bombeiros, que se revezam para manter uma presença 24 horas no local. Mas toda essa precaução não significa que o risco é inexistente. Foi o que se viu esta semana na tragédia da rua Erlanger, em Paris.

Os prédios comerciais e de escritórios também são obrigados a possuir brigadas de bombeiros. Regularmente, as equipes testam os alarmes e fazem exercícios de evacuação do pessoal.

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