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Justiça francesa investiga festa de casamento de Ghosn em Versalhes

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O executivo franco-líbano-brasileiro Carlos Ghosn e a esposa, Carole. REUTERS/Jean-Paul Pelissier

O ex-presidente da Renault, o franco-líbano-brasileiro Carlos Ghosn, enfrentará uma nova investigação judicial, a primeira na França desde que ele foi preso em novembro no Japão. A montadora francesa indicou nesta quinta-feira (7) que o executivo recebeu um benefício pessoal de € 50 mil para sua festa de casamento no Palácio de Versalhes, em 2016.


"Decidimos informar sobre este fato às autoridades judiciais", indicou a Renault em um comunicado divulgado nesta quinta-feira.

O recebimento dos € 50 mil (cerca de R$ 210 mil) teria se dado por intermédio de um contrato de mecenato assinado com o Palácio de Versalhes. Vinculado diretamente ao centro de custos da presidência da Renault e destinado a financiar reformas no Palácio, o documento foi firmado quatro meses antes do casamento de Carole e Carlos Ghosn.

A imensa festa, com trajes de época, reuniu a nata do empresariado internacional no pavilhão do Trianon em 8 de outubro de 2016. A locação da luxuosa sala foi registrada como uma "contrapartida" do contrato de mecenato firmado entre a Renault e o Palácio de Versalhes, mas serviu para uso pessoal de Ghosn.

Uma fatura da empresa que organizou o casamento indica que o aluguel foi "oferecido por Versalhes", o que pode sugerir um presente dado diretamente a Ghosn. Entretanto, segundo a Renault, a situação é juridicamente complexa e merece esclarecimentos da Justiça.  

Renault realizou auditorias internas

O caso vem à tona depois de auditorias internas realizadas pela montadora francesa em novembro, depois que Ghosn, que dirigia a empresa, foi preso no Japão por supostas fraudes financeiras. O franco-líbano-brasileiro foi demitido da Nissan e da Mitsubishi dias após sua detenção em Tóquio. Em janeiro, renunciou ao cargo de CEO na Renault.