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Como Macron se prepara contra fake news da extrema direita antes das eleições europeias

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O presidente francês Emmanuel Macron recebeu Marine Le Pen no Palácio do Eliseu, em 6 de fevereiro de 2019. REUTERS/Philippe Wojazer/Pool

O partido de extrema direita francês Reagrupamento Nacional (RN), de Marine Le Pen (ex-Frente Nacional), se ancora em fake news para ganhar as eleições europeias? O temor foi expressado por ninguém menos que Emmanuel Macron, presidente da França.


Por Anne Soetemondt e Anthony Lattier

Da lei anti-fake news até seu projeto de "verificação de informações", passando na quarta-feira (13) pelo lançamento oficial de uma célula de reação anti-RN, o chefe de Estado multiplica iniciativas. Na linha de mira, o partido de Madame Le Pen. As revelações foram feitas durante entrevista exclusiva da RFI com a ministra Nathalie Loiseau, encarregada da pasta de Assuntos Europeus.

Com a aproximação das eleições europeias, que acontecerão em maio – um pleito que é também um “teste de voto” para Emmanuel Macron - o Eliseu considera que a extrema direita francesa se tornou uma "fábrica de fake news".

Como Donald Trump em 2016, ou Nigel Farage durante a campanha do Brexit, "há hoje manipulação para tentar capturar um eleitorado, para manipular o voto, essa é uma grande preocupação", disse a ministra. Loiseau explicou à RFI que o executivo está atuando em vários níveis: estabelecendo uma rede de alerta rápido entre os países membros da União, destacando o "conteúdo de mídia profissional na luta contra a falsa informação", o trabalho na educação de jovens e a organização, dentro do partido A República em Marcha (LREM), de uma resposta rápida para "restabelecer a verdade".

Tratado de Aix-la-Chapelle e pacto de Marrakech, duas fake news by Le Pen

O compartilhamento de fake news por Marine Le Pen e seu partido é uma realidade. Em poucas semanas, o RN transmitiu pelo menos duas. A primeira, sobre o pacto de Marrakech sobre a migração, em que a chefe do partido de extrema-direita enxergou e divulgou uma "submissão migratória organizada", enquanto o documento oficial apenas estabelece o "direito soberano dos Estados" de definirem suas políticas.

Depois, foi a vez do tratado de Aix-la-Chapelle. Um tratado de cooperação franco-alemão acusado por Marine le Pen de organizar "uma tutela da Alsácia" (na fronteira alemã) e um "compartilhamento" do assento da França no Conselho de Segurança da ONU com a Alemanha. Desde a Segunda Guerra Mundial, os alemães são proibidos de fazerem parte de qualquer conselho que tenha poder decisório sobre ações de guerra.

Uma declaração falsa, porque, se o tratado realmente fala de aprofundar a cooperação França-Alemanha na política externa (no artigo 3), não há menção a  uma "venda da Alsácia", nem a um "compartilhamento de assento" com a Alemanha na ONU.

Redes sociais "aceleraram a circulação de conteúdo"

Todos podem verificar estes fatos visitando o site do Ministério das Relações Exteriores francês, onde o tratado pode ser pesquisado. Mas o que parece ser importante para o partido de Marine Le Pen é priorizar sua “opinião” aos fatos.

Para o deputado de extrema direita, Sébastien Chenu, o RN não transmite fake news, mas “revela uma verdade oculta" aos franceses: "o que é falado é feito para não assustar as pessoas. Não acreditamos na sinceridade desse governo. É nosso dever alertar sobre o que pode estar acontecendo", diz.

Na era da pós-verdade, pode-se falar em uma nova técnica de campanha para o partido de Marine Le Pen? Segundo os especialistas "o excesso e a caricatura sempre fizeram parte do discurso da extrema direita", afirma o jornalista Jean-Pierre Camus.

"O que é novo, diz o cientista político, Bruno Cautrès, do Centro de Pesquisas Políticas da Sciences Po (CEVIPOF), é que as redes sociais se multiplicaram e aceleraram a circulação de conteúdo. "Ao discutir com o Facebook e o Twitter, concentrando-se na educação para a mídia, Macron está certo", acrescenta o pesquisador.

"Mas ele também teria que concordar em debater com o RN de Le Pen, mesmo quando este espalha informações falsas. Porque gritar com notícias falsas não é suficiente para neutralizá-las", finaliza.