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França Coletes Amarelos Anti-Semita Agressão

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Imprensa francesa analisa agressão antissemita por "coletes amarelos"

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O jornal Aujourd’hui en France traz na capa uma foto das caixas postais de rua nas quais imagens em homenagem a Simone Veil, ex-deputada europeia e sobrevivente do holocausto, foram cobertas de suásticas. Reprodução

Os jornais franceses desta segunda-feira (18) repercutem um grave ato de discriminação em Paris durante a manifestação dos “coletes amarelos” no último sábado (16), contra um conhecido intelectual francês. “Uma manifestação manchada pelo antissemitismo”, diz Libération.


O filósofo Alain Finkielkraut descia de um táxi bem no momento da passagem de um grupo de "coletes amarelos", no 14° distrito. Reconhecido, alguns manifestantes começaram a insultar o intelectual de “sionista sujo de merda”, “raça suja”, “fascista, além gritar de slogans como “A França é nossa” e “nós somos o povo”.

No ano passado, justamente Finkielkraut havia declarado apoio ao movimento dos "coletes amarelos", como lembra o jornal Libération. Vídeos do incidente logo apareceram nas redes sociais e a classe política francesa repudiou quase de maneira unânime o ataque contra Finkielkraut.

O intelectual disse que não ia apresentar queixa, mas o Ministério Público abriu uma investigação. Ele declarou ao jornal Le Figaro que quer conhecer a identidade de seus agressores. “Não com espírito de vingança, mas quero contribuir no processo de ajudar a tomar consciência da questão”, explicou.“A questão é refletir sobre o que acontece, para encontrar as melhores alternativas”.

Três meses de protestos

Os “coletes amarelos” voltaram às ruas de Paris no domingo (17), para marcar os três meses do início do movimento. Em uma passeata pacífica, com a participação de mil a duas mil pessoas. Alguns manifestantes se declararam chocados com o ocorrido na véspera. “Esse tipo de atitude nos prejudica”, diz Serge, 59 anos, entrevistado por Libération.

Em editorial, o Libé afirma que o ataque contra Finkielkraut "deve ser punido com severidade". As suásticas e atos antissemitas das últimas semanas durante as manifestações, “provam que algumas alas dos ‘coletes amarelos’ se inclinaram a uma deriva populista e antissemita perigosa”, alerta o jornal.

O jornal Aujourd’hui en France traz na capa uma foto das caixas postais de rua nas quais imagens em homenagem a Simone Veil, ex-deputada europeia e sobrevivente do holocausto, foram cobertas de suásticas. “Chega desse ódio!”, exclama a manchete. “Os atos antissemitas e a violência contra os símbolos do Estado se multiplicaram nas últimas semanas. Uma deriva tão revoltante quanto preocupante”, diz o jornal na primeira página.

A pichação da imagem de Veil levou a classe política a convocar uma grande manifestação em várias cidades da França, na próxima terça-feira (19), contra o aumento do antissemitismo. A mobilização é uma iniciativa de 14 partidos. O Reagrupamento Nacional, da líder de extrema-direta Marine Le Pen, não foi convocado.