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Cardeal francês é condenado por não denunciar casos de pedofilia

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O cardenal Philippe Barbarin durante seu julgamento por não denunciação de casos de pedofilia, ocorrido em janeiro de 2019, em Lyon. REUTERS/Emmanuel Foudrot

O cardeal francês Philippe Barbarin foi condenado nesta quinta-feira (7) pelo Tribunal de Lyon, no sudeste da França, a seis meses de prisão com direito a sursis por não denunciar agressões pedófilas de um padre de sua diocese. As vítimas comemoraram a sentença, considerada uma grande vitória.


O cardeal, de 68 anos, não estava presente para ouvir a sentença. A juíza Brigitte Vernay "declarou o religioso culpado de não denunciar maus-tratos" contra menores de 15 anos entre 2014 e 2015. As agressões foram cometidas pelo padre Bernard Preynat que ainda não foi julgado. Barbarin é o terceiro cardeal francês condenado por encobertar denúncias de pedofilia, após dois outros casos em 2001 e 2018.

Os advogados da defesa anunciaram que vão recorrer da sentença. "A motivação do tribunal não me convence. Portanto, vamos apelar contra a decisão por todas as vias do direito", disse Jean-Félix Luciani. Outros cinco réus no mesmo processo não receberam condenações por prescrição dos delitos ou falta de provas.

Um símbolo extraordinário

Para um dos advogados da acusação, Yves Sauvayre, o reconhecimento da responsabilidade e da culpa do cardeal é “um símbolo extraordinário e histórico”.

François Devaux, uma das vítimas dos abusos do padre Preynat, celebrou a sentença. Ele considerou o julgamento uma "grande vitória para a proteção das crianças". Devaux é cofundador da associação de vítimas La Parole Liberée (A Palavra Liberada) e acredita que a condenação do cardeal é o “coroamento de um longo percurso pela conscientização” do problema da pedofilia na Igreja.

O julgamento do padre Preynat está previsto para o final deste ano. No entanto, ele já reconheceu denúncias apresentadas recentemente à justiça por quatro adultos, que sofreram abusos quando eram crianças, entre 1986 e 1991. O caso do padre Preynat é retratado no filme "Grâce à Dieu", do diretor francês François Ozon, vencedor do grande prêmio do júri no último Festival de Cinema de Berlim.