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Entusiasmo com Copa do Mundo deve impulsionar esportes femininos na França

Por Stephan Rozenbaum

Faltam poucos meses para a oitava edição da Copa do Mundo de futebol feminino que será realizada de 7 de junho a 7 de julho, na França. Na semana em que foi celebrado o Dia Internacional da Mulher, todos os ingressos para a grande final foram vendidos em menos de uma hora. Para a ministra dos Esportes, Roxana Maracineanu, o crescimento do interesse pela edição feminina do maior evento esportivo do mundo poderá ser muito benéfico para uma maior diversidade nos esportes.

Presente em um evento realizado no Parc des Princes, estádio do Paris Saint-Germain, onde 50 meninas integraram um programa social do clube, Maracineanu afirmou que é preciso aproveitar o momento atual. “A Copa do Mundo vai ser a oportunidade de falar mais do futebol feminino. Hoje, na França, quase todos os clubes profissionais têm uma equipe feminina no campeonato. É importante que se fale mais do assunto. Também é importante que as mulheres joguem em estádios à altura da qualidade de jogo delas, das competências de cada jogadora em campo”, ressaltou a ministra.

“Essa copa do mundo vai ser a chance também de falar do esporte feminino de uma forma geral, sobre os outros esportes coletivos onde as mulheres brilham. Sem esquecer os esportes individuais onde temos vontade de ver mais igualdade nos próximos anos”, completou.

“Allez les Filles”

No evento que lançou a oitava edição do programa “Allez les Filles” (Vamos meninas, em português), também estavam presentes as ex-jogadoras Sabrina Delannoy, hoje diretora da Fundação Paris Saint-Germain, e Laure Boulleau. As duas jogaram pela seleção francesa e pelo PSG. Para Boulleau, a cobertura midiática de eventos como a Copa do Mundo é essencial pra o crescimento dos esportes femininos no país. “Queremos ver os estádios lotados. A estreia e a grande final já estão com os ingressos esgotados. Vemos que antes mesmo do início da competição há um entusiasmo e uma procura por ingressos. Claro que ainda temos que trabalhar para vender os ingressos das outras partidas e atrair um máximo de público. Sabemos que os dois principais canais de televisão da França vão transmitir as partidas. Precisamos disso, que a mídia acompanhe e esteja à altura do evento, e pelo o que eu estou vendo, acredito que teremos uma enorme cobertura”.

Para a diretora da fundação PSG, Sabrina Delannoy, criadora do programa “Allez les Filles”, a edição deste ano terá um gosto mais especial. “Este ano será diferente já que será impactado por essa competição mundial que é a Copa do Mundo, e com isso, todos os eventos que acontecerão no universo do esporte feminino terão um destaque muito mais importante. É um momento oportuno para desenvolver os esportes e o futebol feminino”, afirmou.

Meninas têm se distanciado do esporte

No entanto a dirigente lembra que ainda há muito trabalho pela frente. “A fundação está em contato com crianças carentes desde o começo, no ano 2000, e pouco a pouco fomos percebendo que em alguns bairros havia uma diminuição da prática esportiva entre as mulheres, por várias razões, como culturais e familiares. Mas, com isso, vimos que tínhamos que tentar mudar essa situação. Essa foi a origem do programa “Allez les filles”. Hoje, queremos abrir oportunidades a essas jovens meninas que muitas vezes não têm uma vida fácil, propondo várias atividades culturais e esportivas. Hoje por exemplo as meninas foram jogar golfe, uma descoberta para a maioria. Essa é a missão de nossa fundação, trazer um pouco mais de sonho para vida dessas meninas”.

Para a ministra dos esportes, Roxana Maracineanu, esse tipo de trabalho social realizado por grandes clubes é essencial. “Ir buscar crianças nos bairros carentes, conseguir incentivá-las a prática esportiva, relacionando cada uma delas com jogadoras profissionais, envolvidas no dia a dia do projeto é algo muito importante para esses jovens que não têm hoje as mesmas oportunidades que outras crianças que nascem em famílias mais favorecidas. O esporte é para minha um vetor de emancipação, de desenvolvimento da vida pessoal e social, sem esquecer a integração em uma sociedade com valores. Por isso é importante que grandes clubes com meios financeiros importantes também ajudem por meio de projetos como esse, já que o Estado não pode fazer tudo sozinho. Precisamos também da ajuda de outros atores da sociedade trabalhando do nosso lado”, destacou.

Acabar com estereótipos

Para ela, somente com programas como esse é que se poderá diminuir a quantidade de estereótipos na sociedade. “São estereótipos que visam as mulheres em esportes que sempre foram mais masculinos e que hoje são mais divulgados pela mídia, o que acaba gerando mais dinheiro e mais notoriedade e por isso temos a vontade de ver também mais mulheres nesses esportes”, afirmou Maracineanu.

“Mas é também um combate sobre a diversidade. Por exemplo, ver nossos meninos terem acesso a dança, sem que tenha que ser somente com meninas, ver mais homens na equitação, que é também uma modalidade mais feminina. Temos vontade de ir além na questão da pluralidade dos esportes, que será lembrada este ano graças ao futebol, mas queremos ver isso também nos outros esportes”, finalizou a ministra.

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