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Bolsonaro diz nos EUA que França é mau exemplo de abertura de fronteiras

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Entrevista de Jair Bolsonaro para o canal de TV Fox News. Captura de Vídeo

Em entrevista à Fox News nesta segunda-feira (18), em Washington, o presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar a política de imigração e acolhimento de refugiados do governo francês. "Quem é favorável ao socialismo deve olhar para a experiência da França, que abriu suas fronteiras a todo tipo de refugiado sem seleção ou filtro; é um mau exemplo", declarou o presidente brasileiro.


Nuria Saldanha, especial para a RFI em Washington

Bolsonaro fez o comentário sobre a França ao responder a uma pergunta da apresentadora Shannon Bream da Fox News, canal de TV ultraconservador, sobre a política de imigração do presidente americano, Donald Trump, considerada "racista" por alguns opositores, conforme citou a jornalista. O líder brasileiro respondeu que apoiava a proposta de Trump de construção de um muro na fronteira com o México, ressaltando que "a maioria dos imigrantes não tem boas intenções". Na continuidade do raciocínio, citou o caso da França.  

Não é a primeira vez que Bolsonaro reproduz a mesma retórica de Trump de críticas à política de imigração do governo francês. Em dezembro, o embaixador francês nos Estados Unidos, Gérard Araud, ironizou um comentário feito pelo presidente recentemente eleito, na época, depois de Bolsonaro afirmar que a vida na França havia se tornado "insuportável” por causa da imigração.

O embaixador respondeu a Bolsonaro comparando os altos índices de violência entre os dois países. Em um tuíte, Araud escreveu: “63.880 homicídios no Brasil em 2017, 825 na França. Sem comentários”, pontuou.

No sábado, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que acompanha o pai na visita aos EUA, disse que os brasileiros que vivem ilegalmente no exterior eram uma "vergonha" para o país.

No entanto, o projeto de lei asilo e imigração aprovado pelo Congresso francês em 1° de agosto de 2018 endureceu bastante a legislação contra migrantes. Entre os estrangeiros mais fragilizados, constam os refugiados em solo francês. A duração da detenção de estrangeiros sem documentos será dobrada e estes poderão ficar até três meses dentro de prisões francesas, até que sua saída da França seja organizada. Crianças e filhos de imigrantes poderão ser colocados em locais de espera se seus pais não possuírem mais o direito de continuarem legalmente no país.

Bolsonaro tem encontro com Trump nesta terça

No último dia de sua visita oficial, Bolsonaro tem encontro marcado com Trump nesta terça na Casa Branca. Na pauta da reunião estão a relação comercial entre os dois países, acordos militares de cooperação em defesa, a influência da China na economia latino-americana e a crise na Venezuela.

Após a conversa a portas fechadas no Salão Oval, os dois líderes vão fazer um pronunciamento e responder a perguntas de jornalistas no "Rose Garden".

Na entrevista à Fox News, Bolsonaro disse que sua conversa com Trump se baseará, em grande medida, no processo de ajuda mútua. "Temos muito em comum", explicou. "Estou disposto a abrir meu coração para ele e fazer o que for em benefício tanto dos brasileiros como dos americanos", ressaltou.

Ele deve insistir sobre o desejo do Brasil de ingressar na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, (OCDE). Segundo a imprensa local, os Estados Unidos também poderão conceder ao Brasil o status de "aliado preferencial fora da Otan". Isso abriria as portas para tecnologia, cooperação e recursos de defesa.

Venezuela

Ontem, no encontro com empresários na Câmara de Comércio dos Estados Unidos, Bolsonaro falou sobre a possibilidade de cooperação para solucionar o impasse no país vizinho.

"Temos que resolver a questão da nossa Venezuela. A Venezuela não pode continuar da maneira como se encontra. Aquele povo tem que ser libertado e contamos com o apoio dos EUA para que esse objetivo seja alcançado", disse o presidente.

Bolsonaro afirmou que é amigo dos americanos e que deseja aprofundar parcerias com país. "O povo americano e os Estados Unidos sempre foram inspiradores em grande parte das decisões que eu tomei", observou. "O Brasil tem muito a oferecer, gostaria de fazer muitas parceiras, muito mais que assinar agora o Centro de Lançamento de Alcântara, mineralogia, agricultura, biodiversidade, gostaria de termos muita parceira desse Estado que admiro."

"Ajudem-nos a entrar na OCDE"

No mesmo encontro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, tentou dissociar a imagem do atual governo brasileiro da extrema direita e disse que a imprensa americana mente sobre a situação no país. "O que vocês leem sobre o Brasil aqui não é verdade", provocou o ministro. "O nosso país é hoje uma aliança de valores e princípios entre conservadores e liberais [econômicos] em um regime de centro-direita”, disse. Paulo Guedes afirmou também que a nação está aberta para negócios e fez um pedido aos americanos:

“Ajudem-nos a entrar na OCDE, é inacreditável, mas os EUA são o único obstáculo à nossa entrada. Era compreensível quando nós estávamos na via da esquerda, mas agora estamos na via da direita, então não merecemos o mesmo tratamento que tínhamos antes.”

Visto para americanos

Como previamente informamos na RFI, o presidente Jair Bolsonaro formalizou em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) nesta segunda-feira a dispensa de vistos para turistas americanos entrarem no Brasil. A medida se estende também a australianos, canadenses e japoneses de forma unilateral, e vai entrar em vigor em 17 de junho.

Base de Alcântara

O acordo de salvaguardas tecnológicas para permitir o uso comercial do centro de lançamento de Alcântara foi assinado, mas o termo ainda precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional para entrar em vigor. Pelo documento, os Estados Unidos vão poder lançar satélites e foguetes da base localizada no Maranhão. O acordo prevê também a proteção da tecnologia americana usada no lançamento de foguetes e mísseis a partir da base de Alcântara.