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Filme sobre destruição de marco zero do Rio traz triste paralelo com atualidade

Por Patricia Moribe

“O Desmonte do Monte”, de Sinai Sganzerla, está na competição de documentários do festival Cinélatino, de Toulouse. O filme desenterra uma página pouco conhecida da história do Rio de Janeiro, a destruição do morro do Castelo, local de fundação da cidade.

“É uma história muito pouco conhecida e fiquei encantada quando eu a descobri, por acaso. No começo pensei que fosse uma ficção, e tinha também a lenda, que também é verdadeira, sobre um tesouro que teria sido deixado pelos jesuítas expulsos do Brasil, em 1857, pelo marquês de Pombal, enterrado em algum túnel do morro”, conta Sganzerla. A cineasta traz ainda o relato de Lima Barreto sobre o primeiro desmonte, em 1904, quando foram descobertos túneis subterrâneos.

Apoiado em um extenso trabalho de pesquisa e composto por imagens de arquivo, o filme também é “um resgate de memória”, como explica a diretora, que começou o projeto em 2014. “Tive a colaboração de Lúcio Branco, que fez um trabalho apuradíssimo de pesquisa em diversos acervos. Foram também nove meses de edição, com Rodrigo Lima. Pude contar também com uma equipe excelente de finalização”, relata.

Herança de ícones do cinema brasileiro

Com formação em musicoterapia, Sinai conta que nunca tinha pensado em trabalhar em cinema. Mas o DNA parece ter falado mais forte, ela que é filha de Rogério Sganzerla, um dos principais nomes do cinema marginal, diretor de “O Bandido da Luz Vermelha”, e de Helena Ignez, que começou no cinema com Glauber Rocha.

“Acompanhei o processo de produção, filmagem e montagem dos filmes que meu pai fazia. E toda a dificuldade que ele teve ao longo da sua carreira. Tenho muito orgulho. E minha mãe faz a voz da Baía da Guanabara no meu filme”.

O próximo projeto de Sinai é justamente um documentário sobre Helena Ignez. “Ela própria conta a sua história e também um pouco da história do cinema brasileiro, pois ela passou por diversos movimentos e estilos cinematográficos”, explica Sinai.

Visão profética

“O Desmonte do Monte” pode ter também uma leitura bastante atual diante da configuração atual do Rio de Janeiro e do país. “De certa forma, acho que o filme é um pouco profético. Os elementos que estão no documentário estão muito presentes, num momento de destruição da memória, um período muito difícil, mas espero que o Brasil não seja destruído como foi o morro do Castelo”, diz Sinai.

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