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Jovens franceses vivem com naturalidade ruptura da binaridade homem-mulher

Por Adriana Moysés

A revista semanal L'Obs traz uma reportagem especial sobre a "revolução de gênero" em curso na sociedade francesa. Nem rosa, nem azul. "Nem menina, nem menino", diz a manchete de capa da revista. Sete jornalistas e um fotógrafo entrevistaram franceses em todo o país para mostrar que eles estão satisfeitos de descobrir que podem escolher um outro modo de viver sua identidade, livres da binaridade de gênero.

A forma como alguns franceses decidiram estar no mundo, expressando o que trazem dentro de si, desfila pelas páginas da L'Obs. "Brieuc, 21 anos, tem barba e usa batom. Seu nome é masculino, mas ela prefere nomes femininos. Nem homem, nem mulher: Brieuc é não binário. Para ela, isso significa não pertencer nem ao gênero masculino, nem ao feminino."

Segundo uma pesquisa encomendada pela revista semanal ao instituto YouGov, 14% dos franceses da faixa etária de 18 a 44 anos se consideram não binários, ou seja, rejeitam a categorização do rosa e do azul em estado de desconexão e de oposição um ao outro.

As pessoas que assumem uma identidade distanciada da tradicional dicotomia homem-mulher, considerada muito restritiva, têm se tornado cada vez mais visíveis, destaca a revista. Os franceses "encontraram um leque de termos para distinguir as infinitas nuances que podem brotar da expressão individual de cada um: bigênero, intergênero, gênero fluido, neutro, pangênero, andrógino, meio-menino, meio-menina..." É toda uma paleta de cores que se revela entre o branco e o preto. A rede social Facebook propõe mais de 50 opções de gênero, informa o texto. "Estamos longe das duas opções apresentadas nos formulários administrativos", constata a publicação.

Essas reivindicações podem parecer fantasiosas ou marginais. Mas, na realidade, as pessoas que portam esse vanguardismo empurram cada um de nós a se questionar sobre a maneira como a sociedade nos oprime nessa binaridade e constrói estereótipos que nos acompanham ao longo da vida.

Abertura para outras referências culturais

Segundo uma professora de geografia ouvida na reportagem, Alix Teffo-Sanchez, que prepara uma tese sobre a transidentidade no espaço escolar, a geração francesa não binária está chegando. "Graças à internet e a uma abertura a outras referências culturais, tanto importadas dos Estados Unidos quanto presentes nos jogos de vídeo japoneses e na música pop coreana, poucos adolescentes franceses se reivindicam transgêneros, mas aceitam totalmente essa possibilidade", diz a professora.

Sete entrevistados, de 18 a 62 anos, contam como se autorizaram a romper com os códigos sociais, para conquistar a liberdade de viver do jeito que bem entendem. Nem de rosa, nem de azul.

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