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Renault quer limitar indenização e aposentadoria para saída de Carlos Ghosn

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Carlos Ghosn ao deixar a prisão de Tóquio, depois do pagamento de fiança. REUTERS/Issei Kato

O pedido de demissão de Carlos Ghosn de seu mandato de administrador da Renault deve ainda ser confirmado pela Assembleia Geral do grupo, agendada para 12 de junho, de acordo com um comunicado emitido pela empresa francesa nesta quarta-feira (3).


Segundo o documento, o Conselho de Administração da Renault, reunido hoje, "tomou nota da decisão de Carlos Ghosn de se demitir de seu mandato de administrador". O executivo também pediu desligamento de seu mandato de membro do diretório da Renault-Nissan BV, a filial comum dos dois construtores com sede na Holanda.

Na Assembleia de junho também deverão ser confirmadas as nomeações de Annette Winkler, Thomas Courbe e Jean-Dominique Senard, esse último membro provisório do Conselho desde 24 de janeiro quando assumiu a presidência da Renault em substituição a Carlos Ghosn, então preso no Japão sob acusação de fraudes financeiras e abuso de confiança.

No encontro desta quarta-feira o Conselho de Administração também definiu as condições financeiras relacionadas à demissão do executivo e decidiu recusar o pagamento de uma aposentadoria complementar a Carlos Ghosn. Os conselheiros alegam que as condições de saída do ex-presidente da Renault não se encaixam nos dois critérios de acesso ao benefício, e nenhuma renda poderá lhe ser destinada por meio desse regime especial.

Segundo informações da rádio francesa FranceInfo, Ghosn havia garantido o acesso ao seu direito à essa aposentadoria ao ter enviado sua carta de demissão do cargo no dia 24 de janeiro. A aposentadoria por esse regime garantiria uma renda de € 765 mil por ano até sua morte, de acordo com estimativas feitas pelo Proxinvest, um escritório de consultoria para os acionistas da empresa.

A Renault, por meio de um comunicado, afirmou que no exercício de 2018, Carlos Ghosn recebeu um salário fixo de € 1 milhão bruto, salário que foi reduzido para menos da metade (€450 mil) para o novo presidente do Conselho, Jean-Dominque Senard.

No entanto, em relação ao pagamento da parte variável do salário de Ghosn, no ano de 2018, o Conselho de Administração sugere que o franco-líbanês-brasileiro não receba nada devido ao seu comportamento pessoal e suas movimentações.

A proposta deverá ser votada na Assembleia Geral de 12 de junho. A parte variável foi limitada a 100% do salário fixo e a 80 mil "ações de performances" que a Renault atribui por objetivos atingidos em um período de quatro anos.

Em anos anteriores, Carlos Ghosn havia recebido como remuneração variável até 120% do salário fixo e 100 mil em "ações de performance", ou seja, um total de € 7,25 milhões em relação a 2017.

Sua versão dos fatos

Detido no Japão no dia 19 de dezembro em Tóquio, e indiciado pela Justiça japonesa por abuso de confiança e crimes fiscais, o executivo foi liberado no dia 6 de março após o pagamento de uma fiança de € 6 milhões, e se encontra desde então em prisão domiciliar. Ele está proibido de deixar o país.

Carlos Ghosn anunciou nesta terça-feira que irá conceder no dia 11 de abril uma entrevista coletiva por meio de uma conta no Twitter. Na ocasião, ele garante que irá dizer a verdade sobre as denúncias contra ele. "Estou preparado para dizer a verdade sobre o que está acontecendo. Entrevista coletiva na quinta-feira 11 de abril", afirma a breve mensagem de Ghosn.

Uma porta-voz do executivo franco-libanês-brasileiro confirmou a autenticidade da mensagem enviada por uma conta controlada por seus advogados japoneses. A liberdade condicional concedida a Ghosn o impede de ter acesso à internet. Um de seus advogados, Junichiro Hironaka, garante que não será violado nenhum item de sua liberdade condicional.