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Atualidade política inspira 21ª edição do Festival de Cinema Brasileiro de Paris

Por Elcio Ramalho

De 9 a 16 de abril, a capital francesa será mais uma vez a vitrine da produção cinematográfica brasileira, com a realização do Festival de Cinema Brasileiro de Paris. Nesta 21ª edição, o evento traz novidades, com maior participação feminina e de documentários, além de uma programação enriquecida pela atualidade política do país.

São 23 filmes distribuídos entre ficção, animação e documentários. A partir da abertura, com “O Beijo no Asfalto”, dirigido por Murílio Benício, o público terá uma oferta ampla de temas que abordam desde o período da escravidão, ditadura militar,  mulheres negras, gays, religião e luta pela preservação do meio ambiente.     

“Os filmes foram pensados e propostos para a Ancine em busca de financiamento há pelo menos dois anos, no mínimo. São filmes super atuais e é importante que sejam debatidos”, ressalta Kátia Adler, diretora e curadora do Festival.

Como é tradição no evento, após as projeções, debates são abertos ao público na presença de atores, produtores e diretores convidados.  

A atualidade política do Brasil, com o governo do presidente Jair Bolsonaro desencadeando polêmicas como a celebração do regime militar (1964 -1985), a afirmação de que o nazismo tem origem em movimentos de esquerda, e as ameaças contra os direitos de minorias, contribui para dar maior visibilidade aos filmes a serem exibidos.

“Vamos ter debates com temas relacionados à ditadura militar, que realmente existiu, não podemos brincar que não existiu”, diz Kátia, citando diversas obras que retratam o período, como “Marighella”, dirigido por Wagner Moura, “Codinome Clemente”, de Isa Albuquerque, “Pastor Cláudio”, de Beth Formaggini, o longa de ficção “Deslembro”, de Flávia Castro, e “Torre das Donzelas”, de Susanna Lira.

A programação inclui ainda documentários dedicado à cantora Elza Soares e “A última abolição”, sobre o período de escravidão no Brasil. Os documentários, aliás, ganharam um espaço expressivo e representam cerca de metade do programa do evento. 

Mais filmes de mulheres

O Festival traz uma paridade inédita de gênero na programação. “É a primeira vez que 50% dos filmes são dirigidos por mulheres, e também a mesma proporção de documentários”, celebra Kátia. “Isso é raro e leva a um momento de reflexão”, acrescenta.   

Outra novidade este ano é o lançamento da Plataforma Jangada VOD, um espaço virtual para ter acesso a vídeos sob demanda.

A ideia surgiu da constatação de que o público reclamava do acesso limitado a filmes brasileiros às poucas projeções durante o festival.

A iniciativa resultou na compilação de um catálogo com cerca de 100 filmes que dificilmente encontram espaços em salas de cinema e agora serão disponibilizados virtualmente.

Na plataforma VOD cada título será oferecido a €4 ( R$17,40). “É a primeira plataforma exclusiva para filmes brasileiros. Escolhi a França para começar e depois vamos, com calma, abrir para o mundo”, assinala.

O Festival de Cinema Brasileiro também é a ocasião para os profissionais da área participarem do 2° Forum Audiovisual França-Brasil. Este ano, o evento vai celebrar os 50 anos da assinatura de um acordo de coprodução entre os dois países, discutir o futuro dessa parceria e também a expansão para outros setores, como a televisão.

Depois de Portugal e Argentina, a França é o país que mais investe em coproduções audiovisuais com o Brasil, o que demonstra a importância do país para continuar a parceria, segundo Kátia Adler.

“A França é a nossa porta de entrada para a Europa e para o mundo. O Festival serve de vitrine para o público e de ferramenta para os encontros profissionais entre brasileiros e franceses. A França tem como ajudar o Brasil e vice-versa”, afirma.

“Temos criatividade e temos feito cada vez mais filmes bons. A França gosta do Brasil desde o Cinema Novo e o casamento desses dois países é bom para ambos”, conclui.

Confira a íntegra da entrevista em vídeo clicando abaixo

 

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