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Porta-voz negra e feminista de Macron quebra códigos da política francesa

Por Adriana Moysés

A nova porta-voz do governo francês, a franco-senegalesa Sibeth Ndiaye, 39 anos, uma fiel assessora de comunicação do presidente Emmanuel Macron, foi destaque em todas as revistas e jornais nesta semana. Negra, feminista, mãe de gêmeas de 7 anos e de um menino de 4 anos, fruto de um casamento misto com o francês Patrice Roques, Sibeth ocupa um posto de secretária de Estado e nomeou uma equipe de primeiro escalão composta exclusivamente por mulheres, revela a revista Le Point.

«Em um universo dominado por homens de terno cinza, ela destoa», escreve a Le Point, sublinhando que Sibeth pode influenciar outras colegas de governo a adotar a mesma postura.

A nova porta-voz tem personalidade e trajetória peculiares. Filha de um casal que militou pela independência do Senegal na década de 1950, Sibeth chegou à França quando tinha 15 anos e só se naturalizou francesa há três anos, em 2016. Ela terminou seus estudos no Liceu Montaigne, um dos melhores de Paris, também conhecido pelos alunos de famílias da elite, a maioria brancos.

O choque, quando ela se viu nesse meio, foi imediato: «Foi a primeira vez na vida que me dei conta de que era negra», recorda a secretária de Estado. Os colegas de classe perguntavam se ela vivia num cubículo e se tinha eletricidade em casa. Naquele momento, o pai de Sibeth era deputado na Assembleia do Senegal, mas já estava no fim da vida, sofrendo de um câncer.

Única mulher da equipe que trabalhou para Macron na campanha presidencial, ela já atuava como assessora de imprensa do presidente desde a época em que ele foi ministro da Economia de François Hollande. Fã do «poeta maldito» francês Arthur Rimbaud, diariamente ela colava poemas de sua autoria na agenda de Macron. «Quando os historiadores examinarem os arquivos, eles vão se divertir», justificou Sibeth sobre esse hábito.

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O jeito franco e informal de falar – até se tornar porta-voz, ela utilizava muita gíria –, o alto grau de profissionalismo e a lealdade inabalável a Macron são traços citados com frequência nos perfis dedicados à Sibeth nas revistas. Sobre aspectos de sua vida pessoal, ela se autoproclama uma mãe «autoritária», mas usa um discreto piercing na língua e costura seus próprios vestidos, sempre muito coloridos.

A paixão pela política brotou quando Sibeth foi reprovada no vestibular de medicina e se viu obrigada a estudar biologia. Na faculdade, passou a militar no movimento estudantil de esquerda. Mais tarde, aderiu ao Partido Socialista e presenciou um momento que considera marcante: a passagem do líder histórico da extrema direita francesa, Jean-Marie Le Pen, para o segundo turno da eleição presidencial, em 2002.

Sibeth é mais uma representante dessa geração de 40 anos que ficou horrorizada quando viu a extrema direita voltar a ganhar terreno no eleitorado francês. Hoje, ela é porta-voz de um governo considerado liberal. Com o marido, que ela conheceu na militância socialista, às vezes o tempo esquenta. Quando brigam, ela diz ao marido que ele virou «esquerdista». Nas últimas semanas, eles têm evitado falar de política em casa.

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