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Apartamento parisiense de Le Corbusier é um marco da arquitetura moderna

Por Adriana Brandão

O apartamento-ateliê de Le Corbusier é um marco da arquitetura moderna. Ele ocupa o sétimo e o oitavo andar do número 24 da rua Nungesser et Coli, exatamente na fronteira entre Paris e Boulogne. Tombado pelo Patrimônio e administrado pela Fundação Le Corbusier, o local pode ser visitado e é uma verdadeira lição de arquitetura moderna.

Charles-Edouard Jeanneret, conhecido como Le Corbusier, já tinha um certo renome quando aceitou o desafio de construir a própria casa. Todo o prédio foi imaginado pelo arquiteto franco-suíço, em parceria com o primo Pierre Jeanneret, e foi erguido entre 1931 e 1934. Como se constrói casas para pessoas felizes? Essa pergunta norteia o novo projeto que também levou em conta o entorno do terreno, que oferece muitas opções de lazer, com piscinas, estádios de futebol e quadras de tênis. Hoje, o estádio Parque dos Príncipes, do PSG, pode ser visto da janela.

O prédio de apartamentos é o primeiro de Paris que tem a fachada toda envidraçada. Ele é uma referência do estilo aprimorado, humano e funcional de Le Corbusier, que influenciou arquitetos no mundo inteiro, e prosperou no Brasil com discípulos como Oscar Niemeyer e Lúcio Costa. A construção traz os cinco pontos da nova arquitetura que vão caracterizar várias obras modernas, a começar pelo emblemático edifício do Ministério da Educação e Cultura do Rio de Janeiro, que teve consultoria de Le Corbusier.

Cinco pontos da arquitetura moderna

A brasileira Claudia Weigert, guia e conferencista da Fundação, lembra a cartilha corbuseana : «O terraço-jardim faz parte dos cinco pontos da nova arquitetura de Le Corbusier, que ele vai empregar em todas as suas construções. Os outros pontos são as janelas horizontais, os pilotis, o plano e a fachada livres. Esse espaço aberto, sem nenhuma divisão, é muito moderno. E isso só é possível graças ao sistema “dominó”, que ele inventa em 1914. Dentro do apartamento, a única parede que a gente vai encontrar é a parede que separa a cozinha do quarto. Senão, ele é como se fosse um loft. Não tem separação nenhuma. Tem apenas as duas grandes portas de correr, que propiciam essa continuidade no espaço”, explica a conferencista.

O apartamento-ateliê de Le Corbusier, um duplex de 240 metros quadrados, é muito claro, espaçoso e com um conforto precursor para a época: elevador, aquecimento, água quente, garagem, quarto de empregada e o famoso terraço. Muitos móveis são fixos, como a mesa da sala de jantar e a cama de casal, que tem a particularidade de estar a quase um metro do chão permitindo que, deitadas, as pessoas possam apreciar o horizonte. Todos esses elementos foram aproveitados em um outro projeto famoso do Le Corbusier, a Cité Radieuse, (Cidade Radiante), de Marselha.

Restauração

O edifício da rua Nungesser et Coli, assim como as outras 17 obras de Le Corbusier espalhadas por 7 países foram tombadas como Patrimônio Mundial da Humanidade, pela Unesco. Nessa época, a Fundação Le Corbusier, baseada em Paris, decide restaurar o apartamento-ateliê degradado principalmente por infiltrações: “O estado de degradação era importante. Era necessário restaurá-lo. Tínhamos inclusive previsto a restauração no plano de gestão, mas a inscrição no Patrimônio Mundial nos ajudou a ter o máximo de subvenção”, explica a arquiteta da Fundação, Bénédicte Gandini.

O apartamento ficou fechado quase dois anos. No início, a grande questão: restaurar o apartamento original, de 1934, ou o apartamento que foi sendo transformado por Le Corbusier ao longo de sua vida e que ele deixou como herança em 1965? A segunda opção foi a escolhida, restituindo as cores que dialogam com a arquitetura, mas foram deixadas nas paredes marcas que ilustram algumas dessas mudanças. Um vídeo, que você pode assistir no final da matéria, registrou todo o processo da restauração, comparada a uma “pesquisa arqueológica”.

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