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França: projeto de mina de ouro na Guiana não é compatível com objetivos ecológicos de Macron

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Projeto Montanha de Ouro, na Guiana Francesa. facebook.com/MOGuyane

Após a divulgação do alarmante relatório da ONU sobre a biodiversidade, o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou na segunda-feira (6) medidas para lutar contra o desperdício, a produção de lixo e plástico, fazendo apelo a “uma mudança profunda”. Ele declarou ainda que um controverso projeto de extração de ouro na Guiana Francesa “não é compatível” com os objetivos ecológicos.


A chamada “Montanha de Ouro”, o mais importante projeto francês de mina de ouro a céu aberto prevê a exploração de uma mina de 2,5km de extensão, a partir de 2022, ao sul de Saint-Laurent-du-Maroni, em plena floresta tropical, através de coleta de ouro por cianuração em circuito fechado.

O projeto é uma iniciativa do consórcio russo-canadense Nordgold-Columbus Gold, com construção prevista de 2019 a 2021, para produção de cerca de 6,7 toneladas de ouro por ano, de 2022 a 2034. A companhia Montanha de Ouro, que representa o consórcio, declarou nesta terça-feira (7), “estar mais do que nunca aberta a uma troca construtiva com o governo para continuar a melhorar o projeto”.

Críticas

As críticas contra o projeto crescem entre a população, mas também por meio de ONGs como a WWF e alguns políticos. Entre os problemas apontados, estão a ameaça elevada de contaminar a natureza com cianeto no processo de obtenção do metal, além do desmatamento e o uso abundante de água e energia.

Em 1° de fevereiro, Macron já havia dito que o projeto “não era o ideal” em matéria de respeito ao meio ambiente. François de Rugy, ministro da Transição Ecológica, deve ir à Guiana em junho, para discutir com as partes envolvidas.

Os defensores do projeto insistem no potencial de criação de empregos. Saint-Laurent-du-Maroni tem 42 mil habitantes, uma taxa de desemprego de 30% e de mais de 40% entre os menores de 25 anos. Se vencer a queda de braço, o consórcio russo-canadense promete criar 3.750 empregos diretos e indiretos. Mas a ONG WWF, que denuncia um desastre ecológico, diz que esse número é uma "miragem econômica".

Entre 2000 e 2010, a garimpagem ilegal explodiu ao redor da área, com a chegada de milhares de garimpeiros clandestinos, vindos principalmente do Brasil e do Suriname. Os industriais visam o ouro do subsolo, enquanto os clandestinos correm atrás do ouro que está na superfície das rochas, de fácil acesso e rentabilidade imediata, segundo especialistas.