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Filme brasileiro “Bacurau é um grito de resistência”, diz crítica francesa

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Destaque na imprensa francesa desta quinta-feira, o longa brasileiro Bacurau, em competição pela Palma de Ouro no Festival de Cannes. RFI

A imprensa francesa desta quinta-feira (16) publica várias críticas ao filme Bacurau, único longa-metragem brasileiro em competição pela Palma de Ouro no Festival de Cannes. A obra de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles foi exibida na noite de quarta-feira (15). Os críticos franceses veem na história violenta um reflexo do Brasil na era Bolsonaro e um grito de resistência.


Bacurau, o terceiro longa da competição a ser exibido em Cannes, confirma a tendência “de filmes difíceis e violentos” desta edição 2019, afirma Le Figaro. “Bacurau, vilarejo barroco” é o título do artigo sobre o longa.

O jornal conservador resume a história e explica que Bacurau é o nome de uma cidadezinha imaginária no sertão brasileiro, que parece isolada do resto do mundo. O abastecimento de água foi interrompido pela construção de uma barragem e a cidade é invadida por um bando de paramilitares.

Os moradores resistem e a reação é violenta, antecipa o texto. O crítico do Le Figaro diz que filme, “barroco e impuro”, assume suas influências, dos “Sete Samurais”, de Kurosawa, a “Mad Max”, de George Miller. Os diretores brasileiros Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles não têm medo de cenas de horror.

“Esta radicalidade é uma resposta ao contexto político do Brasil e de qualquer outro lugar do mundo onde o fascismo avança”, escreve Le Figaro. “Neste momento em que o presidente Jair Bolsonaro, um político de extrema direita nostálgico da ditadura militar, está no poder, os dois cineastas brasileiros reagem com força”, conclui o jornal que dá nota de 2,5, sobre 4 a Bacurau.

“Antiutopia furisosa”

Libération diz que a bandeira defendida por Bacurau “é uma causa comum”. Depois de Aquarius, filme de Kleber Mendonça filho apesentado em Cannes há alguns anos, o novo filme sobre o combate de moradores da cidadezinha do nordeste brasileiro contra um exército de matadores, é uma “antiutopia furiosa”.

O jornal progressista lembra que o roteiro foi escrito antes da chegada do atual presidente brasileiro ao poder. O filme “pretendia falar do futuro, como nas ficções-cientificas, mas foi alcançado pelo presente e se transformou em uma corrida contra a realidade”.

Bacurau bebe na tradição brasileira, histórica, literária e cinematográfica do sertão, de João Guimarães Rosa a Glauber Rocha, com citações de grandes gêneros americanos, como o Western e a ficção-científica. Com este estilo, a obra “tenta encontrar antídotos ambíguos, mas eficazes, contra as ameaças de morte que nos cercam”, conclui Libération.