rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
RFI CONVIDA
rss itunes

Nazaré Pereira, pioneira do forró na França, revela um “outro Brasil”

Por Adriana Brandão

A cantora brasileira Nazaré Pereira, disco de ouro na França nos anos 80 com a música "Amarelinha", ou "La Marelle", é considerada a pioneira do forró na França. Ela é uma das convidadas de honra do festival “Primavera do Forró de Toulouse”, que começa nesta terça-feira (21) e há cinco anos promove a cultura do nordeste brasileiro na cidade do sudoeste da França.

A veterana Nazaré Pereira mora na França desde o final dos anos 70. Atriz, formada pelo conservatório de arte, ela atravessou o Atlântico para fazer uma pós-graduação na Sorbonne e adora dizer que começou a cantar por acaso. “A música foi para pagar o sanduíche. Comecei a cantar nas praças, nos bares. Catava bossa nova, samba como todo mundo. O sucesso veio depois que cantei o forró “Cheiro da Carolina” (de Zé Gonzaga e Amorim Roxo) em um casamento. Todos os convidados dançaram e no dia seguinte tinha fila no “Jazz do Brasil”, o bar onde eu cantava em Paris”, lembra.

A cantora não se considera a pioneira do forró na França e ressalta que, antes dela, outros artistas, como Teca Calazans, revelaram o ritmo para o público francês. Mas concorda que ajudou a divulgar e a popularizar a música nordestina no país. “Ao falar do meu trabalho, os jornalistas diziam que eu mostrava ‘um outro Brasil’”.

“Cheiro da Carolina” foi o primeiro disco de Nazaré Pereira gravado na França. Depois vieram outras músicas e outros sucessos, como Amarelinha (1980). A cantora já tem 19 discos gravados na França e se prepara para lançar um CD no Brasil: “Faz uns cinco/seis anos que as portas se abriram para mim no Brasil. Inclusive em Belém, que é a cidade da minha família. Gravei um disco que será lançado em setembro. Aqui na França, ainda participo de festivais e faço shows, mas minha carreira deu uma pausa. Nem todo mundo é Roberto Carlos na vida”, brinca.

Primavera do Forró

No festival Primavera do Forró de Toulouse, Nazaré Pereira se apresenta no próximo sábado (25), ao lado de Lucas Notario e Corentin da sanfona. O evento, que já está na 5ª edição, divulgando a música e cultura nordestina na França, homenageia de 21 a 26 de maio a viola de dez cordas e também conta com a participação especial dos brasileiros Levi Ramiro e João Arruda. Esta edição 2019 integra a programação da 6ª Semana da América Latina e do Caribe, que acontece todos os anos em todo o país.

Nazaré Pereira lembra que existem outros festivais na Europa que programam a música nordestina e não se impressiona com o fato de que exista na França um evento dedicado ao forró: “o forró a gente considera do Nordeste, mas é uma música brasileira em geral. É uma coisa permanente. O Luiz Gonzaga marcou o Brasil inteiro. Que o ritmo entre na Europa com essa força toda é genial. Não digo que vai durar, pois já tivemos várias fases do samba, da lambada…”

Amazônia

A cantora brasileira, radicada na França, nasceu na Amazônia, em Xapuri no Acre, terra do Chico Mendes, e cresceu em Belém. Além da carreira de cantora, ela é embaixadora da Amazônia para a fundação Villas Boas. A cada show, ela sempre faz a promoção da região e da importância de sua preservação.

Por sua militância em defesa da Amazônia, Nazaré Pereira recebeu a medalha de “arts et lettres” do governo francês. “Tenho muito orgulho de dizer que luto pela Amazônia porque sou amazônida”, brinca. “Uma luta que tem que continuar e agora, com muito mais força”, conclui.

Brasil não é um dos países que mais usa agrotóxicos, isso é “balela”, diz ministra Tereza Cristina

“Bolsonarismo é uma articulação de radicalismo liberal com autoritarismo social”, diz professor da UERJ

Intolerância a valores progressistas pode impactar na publicidade, diz pesquisadora

Entre identidade e melodia, sambas-enredo "recuperam identidade brasileira", diz intérprete Ana Guanabara

"Camocim", documentário de Quentin Delaroche, recupera juventude idealista do interior de Pernambuco, no caos do esvaziamento ideológico do Brasil

“Negro, gay e comunista”, cubano Bola de Nieve é homenageado pela cantora Fabiana Cozza em Paris

Criminalizar homofobia no Brasil é uma vitória, “mas não é suficiente”, diz deputada Erica Malunguinho

Diretor brasileiro de animação mostra preocupação com diminuição de incentivo público durante Festival de Annecy

“América é último enigma na história da humanidade”, diz antropóloga

Desdém da classe média pelos mais pobres foi essencial para vitória de Bolsonaro, diz historiadora de NY

Psicanalista brasileira coordena seminários em Paris sobre angústia e distúrbios na aprendizagem

A palavra reinventada por Angela Detanico e Rafael Lain em exposição no Grand Palais

“O problema do Brasil não é econômico, é político”, afirma vice-presidente da CNI em Paris

“Vitalidade da democracia é essencial para barrar ações de Bolsonaro”, diz Manuela D’Ávila em Paris

Malvine Zalcberg lança na França livro sobre construção de identidade feminina entre mães e filhas

“Como os modernistas, foi na França que descobri minha brasilidade”, diz artista Júlio Villani

“Preciso desesperadamente de R$ 1 milhão”, diz diretor do Museu Nacional em Paris