rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
RFI CONVIDA
rss itunes

“Modo de exercer o governo é inspirado no pior da ditadura”, diz professor brasileiro na França

Por RFI

O primeiro movimento social desde a eleição do presidente Jair Bolsonaro partiu das universidades, que realizaram uma greve e promoveram protestos na semana passada, contra cortes no orçamento da Educação. Mas não é apenas a situação financeira que preocupa: o governo sinaliza que pode intervir na escolha dos novos reitores das universidades federais, o que não ocorreu nem no período mais duro da ditadura militar.

“O modo de exercer o governo é inspirado claramente nas piores coisas que aconteceram durante a ditadura militar, depois do AI 5. Os anúncios são seguidos de medidas completamente arbitrárias”, afirma o professor-adjunto da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS), uma das mais prestigiosas instituições francesas, em Paris.

Em entrevista à RFI, o pesquisador em antropologia social chama a atenção para a publicação de um decreto no qual o presidente instaura a investigação da “vida pregressa” aos candidatos a reitores pelo governo. Garcia alerta para o risco de o governo interferir na escolha, que costuma ser feita por votação, da qual participam docentes, funcionários e estudantes da instituição. A eleição resulta em três nomes, submetidos à Presidência da República, que este seleciona um.

“Agora, fala-se em colocar pessoas de fora da lista, ou seja, interventores”, ressalta o pesquisador.

Ameaça à autonomia das universidades

Ele lembra que, durante a ditadura militar, os universitários brasileiros das mais diversas áreas se uniram contra interferências nas instituições. “Nesse momento, é reafirmada a autonomia universitária, que está sendo ameaçada atualmente. É um absurdo”, insurge-se. “No período mais autoritário do regime, quando houve prisões e espancamentos, também houve a implantação de cursos de pós-graduação que renovaram o panorama de exercício da profissão. É um paradoxo.”

Garcia destaca ainda que a ameaça de cortes de bolsas de estudos terá impactos não só na qualidade da pesquisa realizada no país, como na projeção internacional do Brasil. “Desde os anos 60, um vetor fundamental do dinamismo dos programas de pós-graduação do Brasil e da projeção do Brasil na cena internacional são as bolsas de estudos. Se elas forem atingidas, corremos riscos graves de perder posições conquistadas na competição internacional cientifica”, sublinha.

Para ouvir a entrevista completa, clique na foto ou assista o vídeo abaixo.

Brasil não é um dos países que mais usa agrotóxicos, isso é “balela”, diz ministra Tereza Cristina

“Bolsonarismo é uma articulação de radicalismo liberal com autoritarismo social”, diz professor da UERJ

Intolerância a valores progressistas pode impactar na publicidade, diz pesquisadora

Entre identidade e melodia, sambas-enredo "recuperam identidade brasileira", diz intérprete Ana Guanabara

"Camocim", documentário de Quentin Delaroche, recupera juventude idealista do interior de Pernambuco, no caos do esvaziamento ideológico do Brasil

“Negro, gay e comunista”, cubano Bola de Nieve é homenageado pela cantora Fabiana Cozza em Paris

Criminalizar homofobia no Brasil é uma vitória, “mas não é suficiente”, diz deputada Erica Malunguinho

Diretor brasileiro de animação mostra preocupação com diminuição de incentivo público durante Festival de Annecy

“América é último enigma na história da humanidade”, diz antropóloga

Desdém da classe média pelos mais pobres foi essencial para vitória de Bolsonaro, diz historiadora de NY

Psicanalista brasileira coordena seminários em Paris sobre angústia e distúrbios na aprendizagem

A palavra reinventada por Angela Detanico e Rafael Lain em exposição no Grand Palais

“O problema do Brasil não é econômico, é político”, afirma vice-presidente da CNI em Paris

“Vitalidade da democracia é essencial para barrar ações de Bolsonaro”, diz Manuela D’Ávila em Paris

Malvine Zalcberg lança na França livro sobre construção de identidade feminina entre mães e filhas

“Como os modernistas, foi na França que descobri minha brasilidade”, diz artista Júlio Villani

“Preciso desesperadamente de R$ 1 milhão”, diz diretor do Museu Nacional em Paris