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Renault Fusão Juan Carlos

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Chrysler apresenta projeto de fusão com a Renault

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O presidente da Renault, Jean-Dominique Senard, e o CEO da Nissan, Hiroto Saikawa, participam de uma conferência de imprensa conjunta dos chefes da Renault, Nissan e Mitsubishi em Yokohama, Japão. 12/05/19 REUTERS/Kim Kyung-Hoon/File Photo

A montadora Fiat Chrysler (FCA), de capital italiano e americano, apresentou nesta segunda-feira (27) um projeto de fusão com a francesa Renault. A união, se for concretizada, criaria o terceiro maior grupo mundial do setor. O anúncio foi comemorado pelos investidores e o governo francês.


De acordo com a proposta da FCA para a Renault, o novo grupo pertenceria em 50% aos acionistas da empresa ítalo-americana e em 50% aos acionistas da montadora francesa. As ações teriam cotações nas Bolsas de Nova York e Milão, explica a Fiat Chrysler em um comunicado.

A Fiat Chrysler destacou que a fusão criaria o terceiro maior grupo automobilístico do mundo, com vendas anuais de 8,7 milhões de veículos e "uma forte presença em regiões e segmentos chave".

O conselho de administração da Renault se reúne nesta segunda-feira para examinar a proposta de fusão, informou a montadora francesa em um comunicado publicado pouco depois do anúncio da proposta. Uma fonte próxima às negociações afirmou que não se espera uma decisão ainda hoje, o que deve "demorar dias, até semanas".

O conselho de administração da Renault definirá apenas se estuda a proposta. As ações dos dois grupos operavam em alta após o anúncio. O título da FCA chegou a registrar avanço de 18% na Bolsa de Milão, antes de recuar para 14,30%, a € 13,094 euros. A ação da Renault subia 13,65%, a € 56,81 euros.

França é a favor de aliança

O governo francês é favorável à aliança, mas "é necessário que as condições da fusão sejam favoráveis ao desenvolvimento econômico da empresa e evidentemente aos funcionários da Renault”, afirmou a porta-voz do governo francês, Sibeth Ndiaye.

A Fiat Chrysler indicou que a linha de produção das duas empresas é "ampla e complementar, e daria uma cobertura completa ao mercado, do segmento de luxo até o segmento voltado para o grande público. A Fiat Chrysler e a Renault produzem automóveis de nível intermediário e populares, o que significa que poderiam compartilhar os avanços tecnológicos, afirmam analistas.

A FCA calcula que a fusão geraria sinergias anuais superiores a € 5 bilhões, que seriam adicionadas às já existentes no âmbito da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi. De acordo com uma fonte que acompanha o processo, o anúncio seria o resultado de "negociações iniciadas com Carlos Ghosn", o ex-presidente da montadora francesa, investigado no Japão por supostas fraudes financeiras.

Prisão de Ghosn provoca crise

Carlos Ghosn foi detido no fim de novembro em Tóquio, o que provocou uma crise entre a Renault e a sócia japonesa Nissan, que estava por trás das revelações que desencadearam a investigação. O projeto da FCA para a fusão com Renault deixa "a porta aberta a Nissan" para integrar a operação, afirmou outra fonte. Com os aliados Nissan e Mitsubishi, a empresa constitui o maior grupo automobilístico mundial em termos de volume de vendas, com quase 10,76 milhões de unidades comercializadas ano passado, à frente de Vokswagen (10,6 milhões) e Toyota (10,59 milhões).

Em caso de acréscimo dos números da Fiat-Chrysler, a aliança estabeleceria uma grande distância para os rivais, com quase 16 milhões de veículos. Uma aliança França-Itália-EUA mudaria profundamente a relação de forças dentro da união Renault-Nissan-Mitsubishi, reforçando a parte francesa.

A Renault pressionou nas últimas semanas para uma aliança fortalecida com a Nissan, com a criação de uma holding 50-50 para as duas empresas. Os japoneses rejeitaram categoricamente o plano, alegando que não levava em consideração seu peso maior que o da Renault.

A empresa vendeu no ano passado 3,9 milhões de veículos, a Nissan 5,65 milhões e a Mitsubishi Motors 1,22. A Fiat Chrysler, que tem 13 marcas (incluindo Jeep, Alfa Romeo, Dodge, Ram ou Ferrari), vendeu 4,8 milhões de veículos em 2018. A Fiat-Chrysler (FCA), montadora americana que enfrenta dificuldades na Europa, entre outros motivos por seu atraso no desenvolvimento de veículos "limpos", estava há várias semanas no centro dos boatos sobre uma possível aproximação.

(Com informações da AFP)