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Após onda verde europeia, Prefeitura de Paris está na mira dos ecologistas

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Jovens cantando na marcha pelo clima, no dia 24 de maio de 2019 en Paris. Alain JOCARD / AFP

Depois da onda verde que tomou a Europa nas eleições para o Parlamento Europeu do último domingo (26) e os ecologistas se tornaram a terceira força política na França - escapando da polarização que se formou entre o partido do presidente Emmanuel Macron e a extrema-direita de Marine Le Pen - e já estão de olho na próxima eleição: para a Prefeitura de Paris.


O jornal econômico francês Les Echos escreve que “o avanço dos verdes muda a situação em Paris”. Para aproveitar a “bonança”, os ecologistas vão se reunir neste sábado, 1º de junho, a fim de escolher o candidato que disputará as eleições municipais, que acontecerão em 2020.

Depois de chegarem em primeiro lugar em quatro dos 20 distritos de Paris e de terem obtido 20% dos votos, os ecologistas sentem “crescerem as suas asas”, analisa o jornal. Ainda segundo o Les Echos, o perfil do candidato escolhido pelos verdes vai influenciar diretamente a futura campanha da esquerda.

Um dos possíveis candidatos, David Belliard, quer encarnar o “ecologista realista” e reivindica o apoio do agora eleito eurodeputado Yannick Jadot. Na disputa dentro do partido, está também o porta-voz do partido, Julien Bayou, de perfil mais militante e mais à esquerda.

Verdes contra socialistas

Resta saber qual destes dois perfis distintos pode conseguir mais votos, numa cidade que é governada por uma prefeita socialista, Anne Hidalgo, cuja administração prioriza a ecologia. Anne Hidalgo deve se candidatar à reeleição e, mesmo se o seu partido anda bem enfraquecido em nível nacional, ela ainda reivindica a liderança na capital francesa.

Jean-Louis Missika, o atual vice-prefeito encarregado de urbanismo e um dos idealizadores da futura campanha de reeleição da prefeita, admite ao jornal Les Echos que “a zona de fragilidade” para esta reeleição “é a relação com os ecologistas”.

O centrista Eric Azière, do partido do presidente Emmanuel Macron, aposta na perda de poder dos socialistas para os ecologistas, mas defende o seu partido, A República em Marcha, ao lembrar que ele está captando os votos dos distritos que antes votavam à direita.

Os verdes “acusam” os socialistas de reforçarem o discurso ecológico apenas para se reelegerem na capital. “A prefeita anunciou na terça o projeto de uma escola do clima, eu não estou certo que isso estava previsto antes do domingo”, provoca um representante ecologista, completando que os verdes estão bem ancorados em Paris.

Luta contra os carros

Por outro lado, a prefeita Anne Hidalgo é bastante atacada por outros partidos por suas tentativas de reduzir o tráfego de carros e, com isso, o barulho e a poluição em Paris. Depois de ter conseguido liberar as margens do Sena para a circulação exclusiva de pedestres, a nova batalha da prefeita é diminuir a circulação de automóveis no anel rodoviário que circunda a capital francesa, conhecido como "boulevard periférico", onde mais de 1 milhão de veículos circulam diariamente.

O problema da prefeita é conseguir um consenso com os prefeitos das cidades conurbadas com a capital. Sua ideia é diminuir a circulação intensa nesta via e transformá-la, segundo suas próprias palavras, "num local tranquilo, na tradição parisiense, um lugar para passear". Anne Hidalgo, citada pelo Les Echos, lamentou não dispor de "uma varinha mágica" para resolver este problema.

A prefeita propõe, por exemplo, reduzir a velocidade no boulevard periférico de 70 para 50km por hora, "para fluidificar o trânsito" a curto prazo e, a médio prazo, criar uma via exclusiva de circulação de veículos "limpos" e "compartilhados".