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Jovem da Baixada Fluminense realiza sonho de estudar na universidade Sorbonne em Paris

Elian Almeida, de 25 anos, foi aprovado para um ano de intercâmbio na universidade da Sorbonne em Paris. A conquista é simbólica para esse jovem artista, originário da cidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Sarah Cozzolino, correspondente da RFI no Rio de Janeiro

Elian Almeida tem muito orgulho de poder se apresentar em francês, mas ainda mais de ter sido aceito na universidade da Sorbonne, que passará a frequentar a partir do próximo mês de setembro. Há dois anos, o estudante da Universidade estadual do Rio de Janeiro (UERJ) começou a sonhar com estudar na França. "Me sinto anestesiado", confessa, muito feliz.

Para esse jovem negro da Baixada Fluminense não foi fácil realizar esse sonho. Criado numa família humilde, ele foi o primeiro e único entre os cinco irmãos a entrar numa universidade pública. O estudante de artes visuais classifica sua trajetória como política. "Quero pensar na minha aprovação não só como uma exceção, mas deveria ser regra", ressalta. "Estudar na Sorbonne é difícil para uma pessoa que nasce na Baixada. Na comunidade ou na periferia, entrar numa universidade pública já é muito difícil." 

Crise na educação

O artista, que tem predileção por temas que tragam uma reflexão sobre o racismo no Brasil e a vida na periferia, entrou na universidade pública graças às cotas. "Na universidade, só tive dos professores negros. É muito pouco", lamenta Elian.

Agora que o governo do presidente Jair Bolsonaro prevê cortar recursos na educação pública, Elian teme uma situação bem pior para pessoas como ele. "Não existe crise na educação, é um projeto. Quando você tira investimento da educação pública de qualidade, você dificulta que pessoas que não podem pagar uma universidade privada entrem no ensino superior e se formem." 

O primeiro desafio enfrentado foi encontrar uma maneira de aprender o idioma. Não tendo como pagar pelos cursos de francês, reservados para uma elite no Rio de Janeiro, encontrou uma forma de pagar um preço mais acessível, entrando na associação "Abraço cultural". Lá, os professores são refugiados francófonos majoritariamente originários da África, capacitados para dar aulas de francês.

Após dois meses de estudos intensos com um professor do Congo, agora refugiado e médico no Rio de Janeiro, quando já não podia mais pagar as aulas, continuou a estudar de forma independente, escutando os podcasts em "Français Facile", da RFI

Um exemplo para muitos

Elian, contudo, tem a consciência de que a sua determinação não é algo tão comum e já pensa maneiras de fazer com que outros jovens também possam realizar o sonho de estudar fora do país, quando voltar pro Brasil. Com outros amigos agora estudando na universidade de Harvard, nos Estados Unidos, o artista quer criar um projeto para que pessoas negras e pobres possam ser ajudadas a fazer um vestibular ou entrar numa universidade pública, no Brasil ou fora do país. "Não é só pensar no meu diploma, afirma Elian, mas é pensar como ele pode voltar para as pessoas. Se eu tive acesso, como que eu posso ampliar meu acesso?", reitera.

O estudante admite estar ansioso com a partida que se aproxima: pensando nos aspectos práticos da sua viagem, abriu no início do mês uma vaquinha virtual para que as pessoas possam ajudar a financiar a sua passagem de avião e as primeiras despesas na França. O sucesso foi tão grande que depois de 6 dias ele conseguiu atingir a meta de 20 mil doadores. 

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