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França alerta para risco de abandono do acordo nuclear pelo Irã

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O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, insistiu que abandonar o acordo nuclear seria um erro grave. REUTERS/Stephane Mahe

As tensões entre Estados Unidos e Irã colocam em risco o acordo nuclear selado entre a República Islâmica e as potências internacionais em 2015. A França tem se mostrado particularmente preocupada com a situação e diz que ao violar o compromisso Teerã estaria cometendo um “grave erro”.


O estopim da crise foi a decisão de Washington de abandonar, de forma unilateral, o acordo nuclear com o Irã após a chegada de Donald Trump ao poder. Desde então, Washington vem pressionando os iranianos. Em resposta, Teerã já havia informado, no mês passado, que deixaria de obedecer aos limites impostos pelo compromisso selado em 2015 em Viena.

Mas na segunda-feira (24), o chefe da Casa Branca anunciou novas sanções, desta vez visando o guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e o chefe da diplomacia, Mohamad Javad Zarif. Nesta terça-feira (25), Teerã retrucou e informou que, a partir de 7 de julho, reduzirá consideravelmente os compromissos contraídos no âmbito do texto.

O anúncio das autoridades iranianas provocou uma reação imediata da França, que faz parte dos signatários do acordo de Viena. "As diplomacias francesa, alemã e britânica estão totalmente mobilizadas para fazer o Irã entender deixar o acordo não seria interessante para o país", disse o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian. Segundo o chefe da diplomacia francesa, a violação deste tratado seria uma "má resposta para a pressão exercida pelos Estados Unidos". O presidente francês, Emmanuel Macron, chegou a telefonar ao líder iraniano Hassan Rohani nesta terça-feira para tentar acalmar a situação.

Já o presidente americano mantém o tom ameaçador. Pela manhã, Trump advertiu o Irã de que um eventual ataque aos interesses americanos provocaria uma resposta "esmagadora".

Relações rompidas desde 1980

Irã e Estados Unidos romperam as relações diplomáticas em 1980, depois da Revolução Islâmica e da tomada de reféns na embaixada americana em Teerã. Uma aproximação aconteceu durante o governo de Barack Obama, com a conclusão do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano.

Com o texto, Teerã se comprometia a não produzir armamento atômico e a limitar drasticamente seu programa nuclear, em troca da suspensão de parte das sanções internacionais. O acordo vinha sendo cumprido até a eleição de Donald Trump.