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Seis meses de Bolsonaro já deixam “conta ambiental salgada”, diz revista francesa

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Acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia é destaque na imprensa francesa desta terça-feira 02 de julho de 2019. Fotomontagem

O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, assinado na sexta-feira (28) em Bruxelas, continua a repercutir na imprensa francesa. Nesta terça-feira (2), a ocasião serve de pretexto para a publicação de um balanço ambiental dos seis primeiros meses do governo de Jair Bolsonaro no Brasil.


A revista L’Express avalia que, neste curto período, “a conta já ficou salgada para o meio ambiente”. A publicação lembra que o ex-militar era o candidato preferido do agronegócio brasileiro e afirma que, desde que ele assumiu, adotou “diversas decisões nefastas para o meio ambiente”, com a justificativa de querer favorecer o desenvolvimento.

“Entre todas as áreas nas quais a política do presidente de extrema direita suscitava preocupações, como direitos humanos e sociais, educação e privatizações, o meio ambiente é a que a sua ação se mostra mais implacável”, diz o texto.

L’Express ressalta que Bolsonaro “faz pouco caso” do patrimônio natural excepcional do seu país, que possui 15% das reservas de água doce do planeta. O texto sublinha que Brasil também tem o privilégio de ter 20% das espécies naturais e vegetais do mundo, enquanto a Amazônia produz um quinto do oxigênio da Terra.

Mas Bolsonaro, frisa a revista, “sempre manifestou o seu desinteresse pela proteção do meio ambiente” e já autorizou “nada menos do que 239 inseticidas, fungicidas e herbicidas a mais” na agricultura após tomar o poder.

Acordo UE-Mercosul

A revista Le Point, por sua vez, publica uma reportagem sobre “o maior açougue do mundo”, ao se referir ao império da pecuária construído pela família Batista. A assinatura do acordo com o Mercosul deixou em pânico os produtores de carne europeus, que temem a entrada dos produtos brasileiros a preços mais baixos e, segundo eles, sem a mesma qualidade dos europeus.

A Le Point esteve nas fazendas da JBS em 2013 para verificar como ocorre a produção de carne bovina no país e observa que a principal explicação para o crescimento desenfreado da companhia é “desviar as barreiras sanitárias”. “Se o Japão ou a Coreia do Sul proíbem as importações de carne brasileira, a JBS chega a esses mercados graças à sua filial americana”, ressalta a reportagem.

Se a competição com o Brasil é “incomparável” no setor da carne, já que o país é “um mastodonte” da pecuária, o jornal Les Echos prefere destacar que o acordo abre espaço para a indústria agroalimentar europeia. O tratado favorece a entrada de produtos que enfrentavam barreiras no Mercosul, como os vinhos, queijos e chocolates fabricados na Europa. Era “um mercado extremamente fechado” que se abre para os europeus, afirma Les Echos. Sem taxas, os fabricantes de laticínios, explica a reportagem, poderão multiplicar por 10 as exportações para os latino-americanos, sem taxas.

As montadoras também estão satisfeitas, já que o setor automotivo foi incluído no acordo e terá reduções de até 91% das tarifas alfandegárias em vigor. Ao jornal francês, as entidades representantes das fabricantes disseram que o tratado significa “um real potencial de crescimento” das vendas, que hoje enfrentam barreiras de 35%. O acordo “é bem-vindo” particularmente neste momento de guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, na avaliação da indústria automotiva.