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Um pulo em Paris
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Hipódromo cria novas atrações e conquista público diversificado em Paris

Por Adriana Moysés

Depois de passar mais de dois anos em obras, o hipódromo Paris Longchamp, na zona oeste de Paris, reabriu no ano passado com uma nova proposta: deixar de ser um gueto de ricos criadores de cavalos e fãs de corrida para se transformar num local de lazer acessível aos parisienses e turistas. A nova fórmula, concebida para atrair um público de 25 a 45 anos, deu certo e faz sucesso no verão.

A sede social do hipódromo foi reconstruída pelo arquiteto Dominique Perrault, que assina a Biblioteca Nacional de Paris e a Vila Olímpica dos Jogos de 2024. O arquiteto procurou romper com os códigos que associam o hipismo a um esporte de pessoas de alto poder aquisitivo, abrindo o hipódromo a um público diversificado, descontraído, sem aquele ranço aristocrático. Por ficar em uma área meio escondida, atrás do parque, os turistas nem sempre chegavam a se interessar pelo local, mas isso mudou.

O hipódromo de Longchamp, situado entre o rio Sena e o parque Bois de Boulogne – a segunda maior área verde de Paris –, foi inaugurado em 1857 por Napoleão 3° e ocupa 56 hectares. As corridas de cavalo sempre foram uma paixão nacional entre os franceses, mas estavam perdendo público rapidamente. Para atrair novos frequentadores, o jeito foi diversificar a oferta de lazer.

Além das corridas de cavalos, às quintas-feiras e aos domingos, o hipódromo ganhou um palco para shows e baladas animadas por DJs (JeuXdi by Paris Longchamp), sempre nas noites de quinta-feira.

Um jardim arborizado com food trucks (Le Petit Pré), aberto a partir das 17h na primavera e no verão, recebe centenas de pessoas que se acomodam em mesas instaladas a céu aberto, sob a copa das árvores, decoradas com luminárias criativas e bandeirinhas de festa junina. Além desse espaço ao ar livre, uma brasserie com terraço (La Brasserie de Longchamp) e um restaurante mais sofisticado (Le Panorama), com vista panorâmica para as pistas de corrida, completam a oferta de espaços de alimentação.

Bilheteria acessível

Nos dias de corrida, os ingressos são gratuitos para menores de 18 anos, há tarifas diferenciadas de 1,50 a 4 euros para estudantes e pessoas acima de 60 anos, e de 3 a 8 euros para o restante do público. É razoável para a beleza do lugar.

Para os restaurantes, há entradas independentes. A balada com DJ pode sair gratuita para quem reserva pelas redes sociais. Quem chega em cima da hora paga algo em torno de 7 euros, a depender do DJ.

No verão, as pistas de corrida de cavalo também se transformam em espaço para festivais: dias 20 e 21 de julho próximos, a terceira edição do festival Lolapalooza de Paris vai acontecer no hipódromo Paris Longchamp. No final de junho, a área jardinada acolheu o festival Solidays, com 228.000 frequentadores durante os três dias e duas noites da programação.

Tendência para sobreviver

A França detém o recorde mundial do número de hipódromos, com mais de 250 terrenos de turfe espalhados em todo o país, o que corresponde a mais da metade desse tipo de estrutura na Europa. Mas o público que aposta em corrida de cavalo declinou nas últimas décadas, e os gestores tiveram de reinventar os espaços. Em Longchamp acontecem 32 dias de corrida por ano. A mais conhecida é o Prêmio Arco do Triunfo, em outubro. Ampliar o uso das instalações se tornou um desafio, principalmente diante da concorrência.

Apenas nas portas de Paris existem quatro hipódromos – Paris Longchamp, Auteuil, Vincennes e Saint Cloud. Nos últimos anos, com a queda nas bilheterias e o déficit de terrenos para a construção civil vários políticos tiveram a ideia de desapropriar esses terrenos imensos para construir edifícios.

Em 2015, o ex-primeiro-ministro Manuel Valls tentou aprovar um projeto de construção de 6 mil apartamentos nas pistas do hipódromo de Saint Cloud, que fica a 10 km do Arco do Triunfo, num subúrbio de classe alta. Moradores da região ocuparam o espaço e organizaram um abaixo-assinado até ele desistir da ideia.

Ninguém queria ver o local transformado numa selva de prédios. Numa região já densa e com tanto cimento, os hipódromos de Paris funcionam como pulmões verdes, mesmo tendo poucas árvores. O de Paris Longchamp plantou 105 árvores novas árvores em meio às 600 do terreno, para fazer a lição de casa ambiental. O público apreciou.

O Bois de Boulogne é conhecido como uma das áreas mais antigas de prostituição em Paris. Mas isso não afeta em nada o interesse pelo hipódromo. Em frente, atravessando a rua, fica a Fundação Good Planet, com ótimas exposições e oficinas sobre consumo sustentável.

Praia urbana e carnaval na agenda do fim de semana

O evento Paris Plages (Praias de Paris) começa neste sábado, 6 de julho, e vai até até 1° de setembro. Espriguiçadeiras, guarda-sóis, mesas para piquenique, sorveterias e áreas para atividades esportivas já estão instalados nas duas margens do rio Sena e no parque de La Villette, onde os visitantes podem participar de atividades náuticas e nadar nas três piscinas com água natural do Ourq, um afluente do rio Marne, o outro grande rio da região além do Sena.

Prova de que as férias realmente começaram, no domingo, dia 7, acontece o Carnaval Tropical de Paris, outra manifestação patrocinada pela prefeitura. O desfile, que vai acontecer das 13h às 18h na avenida Champs-Elysées, terá a participação de 20 escolas de samba, inclusive a brasileira Azulinha.

Esse carnaval veio das ilhas francesas do Caribe – Guadelupe e Martinica –, mas com o passar do tempo se abriu para grupos brasileiros e de outros países da América do Sul. Neste ano, os países convidados são Colômbia, Peru e Bolívia. A Champs-Elysées vai viver um domingo de belas fantasias, passistas e muito samba no pé. No ano passado, 200.000 pessoas assistiram ao Carnaval Tropical de Paris.

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