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Ex-presidente François Hollande depõe em investigação sobre tráfico de influência de Lula

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O ex-presidente francês François Hollande. BERTRAND GUAY / AFP

O ex-presidente francês François Hollande (2012-2017) foi ouvido como testemunha no contexto de uma cooperação judicial solicitada pelo Brasil referente à venda – que não foi concluída – de aviões de caça Rafale, fabricados pela francesa Dassault.


O depoimento de Hollande ocorreu no âmbito da investigação aberta pelo Ministério Público Federal em Brasília (MPF-DF) que acusa o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu filho Luiz Cláudio Lula da Silva e dois lobistas de lavagem de dinheiro e tráfico de influência na compra de aviões de caça para a Força Aérea Brasileira (FAB) durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2013.

A audiência aconteceu no dia 4 de julho em Paris, no escritório de Hollande, revelaram assessores do ex-presidente socialista, confirmando informações publicadas pelo jornal "Le Canard Enchaîné". De acordo com o veículo, o ex-presidente Nicolas Sarkozy (2007-2012) também recebeu uma intimação da polícia para ser interrogado sobre o assunto, no mesmo dia que Hollande, mas se recusou a comparecer. O Ministério Público Nacional francês (PNF) não quis comentar o caso.

Em junho de 2018, o primeiro-ministro sueco Stefan Löfven foi ouvido como testemunha em Estocolmo, também a pedido da Justiça brasileira, como parte da investigação.

Os procuradores de Brasília investigam as condições em que o país encerrou, em dezembro de 2013, mais de dez anos de negociações e adiamentos para a compra de aviões de caça destinados a renovar a frota da FAB. Dos três concorrentes na disputa, o governo brasileiro escolheu o Gripen, da empresa sueca Saab, em detrimento do Rafale francês e do modelo F/A-18 Super Hornet, fabricado pela americana Boeing. O valor do contrato fechado com a Saab totalizou US$ 4,5 bilhões.

Em 2016, o MPF-DF denunciou o ex-presidente Lula, seu filho Luiz Cláudio e o casal de lobistas Mauro Marcondes e Cristina Mautoni, da empresa M&M Empreendimentos, por lavagem de dinheiro e tráfico de influência na compra dos 36 caças Gripen. Os procuradores dizem que o esquema vendia a promessa de que os clientes da consultoria M&M – e a Saab é um deles – seriam beneficiados em negociações com o governo por meio de interferência de Lula. O ex-presidente, segundo o MPF-DF, teria recebido R$ 2,5 milhões para pressionar a então presidente Dilma a fechar o contrato com a Saab. A soma teria sido depositada pelos lobistas na conta da LFT Marketing Esportivo, empresa de Luiz Cláudio. Essa investigação é uma das ramificações da Operação Zelotes, que investiga esquema de sonegação de grandes empresas. Lula já tinha deixado a presidência.