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Paris Migrantes Panteão

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Centenas de imigrantes ocupam Panteão em Paris para pedir regularização

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700 imigrantes ocuparam o Panteão na tarde desta sexta-feira (12) em Paris. REUTERS/Philippe Wojazer

Centenas de imigrantes em situação irregular ocuparam brevemente, nesta sexta-feira (12), o monumento parisiense do Panteão, necrópole das grandes personalidades da França. Os manifestantes reivindicavam sua regularização e pediam um encontro com o primeiro-ministro francês, Edouard Philippe.


Segundo estimativa dos organizadores, cerca de 700 imigrantes e apoiadores da causa ocuparam ao meio-dia este imponente monumento no centro de Paris. A ação foi organizada por integrantes dos coletivos "Coletes Pretos" e "A Capela em pé", que apoiam os imigrantes em condição clandestina.

O Panteão foi esvaziado por volta das 14h45 (horário local) pela saída de trás. Em seguida, a multidão permaneceu do lado de fora, cercada pelos policiais, enquanto gritava palavras de ordem como "Coletes Pretos! Coletes Pretos!", nome do coletivo de imigrantes que vivem em abrigos, ou nas ruas das região de Paris. O nome é uma referência ao movimento de protesto social contra o governo Macron, que ficou conhecido como "Coletes Amarelos".

Em um comunicado, eles se apresentam como "sem documentos, sem voz, sem rosto para a República francesa" e pedem "identidade e casa para todas e todos". "Não queremos ter que negociar com o ministro do Interior [...] Queremos falar com o primeiro-ministro, Edouard Philippe, agora!", escrevem na declaração.

"Muitas pessoas vivem há anos sem direitos. Ocupamos [o Panteão] para exigir do primeiro-ministro uma regularização excepcional. Não houve regularizações desse tipo desde a chegada de [François] Mitterrand ao poder [em 1981]. É hora de ter uma", disse Laurent, que participou do apoio aos manifestantes do lado de fora do monumento. "O Panteão é um símbolo dos grandes homens. No interior, há símbolos da luta contra a escravidão. Estamos lutando contra a escravidão do Terceiro Milênio", acrescentou o manifestante.

Houve confronto entre os manifestantes e a polícia, que respondeu com granadas de gás lacrimogêneo. Algumas pessoas foram socorridas com feridas ou por apresentarem mal-estar.

Reações da extrema direita

A ocupação provocou reações da direita e da extrema direita. “É inadmissível ver clandestinos ocuparem, em toda a impunidade, este lugar precioso da República”, tuitou Marine Le Pen. A líder do partido Agrupamento Nacional (ex-Frente Nacional) também disse que “o único futuro de um clandestino deveria ser a expulsão, porque essa é a lei”.

O deputado do partido Os Republicanos, Eric Ciotti, denunciou uma “chantagem” e uma “profanação” de “estrangeiros ilegais manipulados por associações da extrema esquerda”. Personalidades da esquerda, como a senadora Esther Benbassa, do partido Europa Ecologia – Os Verdes (EELV), e Eric Coquerel, do A França Insubmissa (LFI), compareceram para apoiar os imigrantes.