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Submarino Nuclear Marinha Emmanuel Macron

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França lança submarino nuclear “mais compacto do mundo”

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A equipe do Naval Group, no dia 5 de julho, diante do Suffren. REUTERS/Benoit Tessier

O presidente francês Emmanuel Macron inaugurou nesta sexta-feira (12), na cidade de Cherbourg, oeste da França, o primeiro exemplar da nova série de submarinos nucleares do país: o Suffren. Esse novo modelo substituirá progressivamente os submarinos Rubis, que circulam atualmente e serão, pouco a pouco, “aposentados”.


A cerimônia de lançamento de um novo submarino nuclear, com a presença do presidente da República, é uma tradição na França desde 1967, quando foi inaugurado o modelo Redoutable (“Temível”, em francês). Também participaram do evento diversas autoridades civis e militares.

Mas, desde a década de 1960, o processo de “largar” o submarino na água evoluiu bastante: o Suffren será colocado no mar, ainda no mês de julho, através de um mecanismo parecido com um “elevador de barcos”. O novo modelo é apresentado como motivo de orgulho para os 10 000 funcionários da Naval Group, responsável por sua criação.

Considerado um submarino nuclear de ataque (SNA), o Suffren utiliza um reator atômico para se locomover. Ele é sobretudo destinado a caçar outros veículos marinhos, entre outras façanhas. “O Suffren é um quebra-cabeças de 700 000 peças, 140 km de cabos e 30 km de canalizações. Dentro do período do contrato, serão necessárias mais de 50 milhões de horas de trabalho entre o começo do desenvolvimento e a entrega do 6° modelo encomendado [pela França]”, explica Vincent Martino Lagarde, diretor do programa Barracuda do Naval Group.

O custo da pesquisa e da construção da frota do SNA Suffren chega a € 9,1 bilhões, sem levar em conta as infraestruturas. Os testes no alto mar só começarão a partir do ano que vem, ainda que o programa esteja com 3 anos de atraso devido a problemas industriais.

“Submarinos são importantes em períodos de crise”

De acordo com os criadores, o Suffren é dotado das últimas tecnologias e será 10 vezes mais silencioso que os submarinos atuais. “Debaixo d’água, é possível ouvir várias coisas: os camarões, as baleias, os navios de comércio. Tudo isso gera um barulho permanente e é preciso que os sons do submarino permaneçam abaixo do nível do som ambiente. Retiramos portanto tudo o que produz ruído, como mecanismos que giram ou motores”, reitera Vincent Martino Lagarde.

Outra vantagem do Suffren: seu tamanho. Com 5300 toneladas, ele será o modelo SNA mais compacto do mundo, medindo 99 metros contra 114 do americano Virginia e 119 do russo Severodvinsk. Essas características vão reforçar a discrição e a capacidade de manobra do submarino francês, permitindo uma navegação fácil em alto mar e para acompanhar as missões no Altântico Norte e nas águas de baixa profundidade do Golfo Pérsico.

“Um submarino pode fazer muitas coisas em períodos de crise. Através dele, podemos observar e avaliar o contexto sem aumentar a tensão”, explica Bertrand Dumoulin, que foi comandante do SNA Perle, modelo ainda em atividade na Marinha Nacional Francesa. É dessa forma que, “durante todas essas últimas operações conduzidas na França, os submarinos tiveram um papel importante sem necessariamente fazer uso das armas”, conclui.