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França Escândalo Ministro

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Ex-ministro francês acusado de gastos excessivos diz ser “homem honesto” e perseguido pela imprensa

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O ex-ministro do Meio Ambiente, François de Rugy, e a esposa, Severine Servat. Reuters

Uma semana após sua demissão, o ex-ministro do Meio Ambiente da França, François de Rugy, concedeu uma entrevista ao canal France 2 nesta terça-feira (23). Visivelmente irritado, ele se defendeu das acusações, das quais se diz inocente, e colocou a culpa no “jornalismo de demolição”.


“Apresento-me diante de vocês nesta noite como um homem limpo, como um homem honesto”, afirmou o ex-ministro e ex-presidente da Assembleia francesa, alvo de uma série de reportagens do site de informação Mediapart, que revelou diversas irregularidades protagonizadas por De Rugy.

O ex-ministro culpou os jornalistas por sua renúncia, em um caso, segundo ele, de “difamação”. “ Jamais deveria ter havido um caso ‘de Rugy’. Mas, hoje, o certo é que existe um ‘caso’ Mediapart. E esse caso será resolvido nos tribunais”, reiterou.

A primeiras matérias publicadas pelo site francês apontavam dezenas de jantares suntuosos, realizados na casa do então presidente da Assembleia, pagos com o dinheiro público. Nesses encontros, os convidados – empresários, acadêmicos, intelectuais e artistas – eram brindados com vinhos de até € 550 a garrafa e pratos à base de lagosta e outros crustáceos.

Mediapart também revelou que reformas realizadas no apartamento de função de François de Rugy no Ministério do Meio Ambiente chegaram a custar € 63 mil (€ 17 mil gastos apenas em um guarda-roupas), gastos arcados com o dinheiro do contribuinte.  

Além disso, o ex-ministro teria utilizado motoristas e carros do governo para traslados pessoais e de sua família. De Rugy também é exposto como um obcecado pelo luxo, e virou meme nas redes sociais por ter adquirido um secador de cabelo banhado a ouro, no valor de € 449.

As revelações, após sete meses de crise dos "coletes amarelos", desgastaram a imagem do ministro e inviabilizaram sua permanência no governo.

Investigações do governo

Diante da polêmica, o primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, pediu ao secretariado-geral do governo, no dia 11 de julho, uma avaliação das reformas no apartamento de função de François de Rugy. Em um relatório publicado nesta terça-feira, o órgão concluiu que os gastos eram "justificados".

Segundo a investigação do secretariado-geral do governo, o apartamento não era alvo de reformas há dez anos e precisava de mudanças. Para Philippe, não houve “nenhuma irregularidade do ministro no respeito dos princípios de exemplaridade ou das regras públicas”.

Já sobre os jantares de luxo, o relatório concluiu que três dos vários eventos organizados pelo ex-ministro podem ser “considerados excessivos em relação ao que se considera razoável”.

Reembolso dos jantares

François de Rugy se comprometeu a reembolsar os gastos considerados irregulares. Já Mediapart classificou a investigação como “uma piada”.

O governo francês enviou nesta terça-feira a seus ministros e secretários de Estado uma recomendação sobre os gastos de suas pastas. De acordo com o documento, o executivo pode financiar “apenas os valores relacionados ao exercício das funções ministeriais”.

“Todos os gastos que ultrapassarem € 20 mil deverão ser submetidos à aprovação do secretariado-geral do governo”, lembrou o primeiro-ministro na circular.