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França: Mais de mil pessoas desfilam contra o racismo após morte de jovem pesquisador da Guiné

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Manifestantes protestam contra ato racista que causou morte de estudante da Guiné LOU BENOIST / AFP

A cidade de Rouen assistiu nesta sexta-feira (26) à marcha de 1400 pessoas em homenagem a Mamoudou Barry, jovem professor e pesquisador da Guiné, assassinado no último final de semana. Sua morte foi causada por um “ato racista”, segundo os manifestantes.


Várias pessoas carregavam um cartaz com a foto do jovem morto. Um homem se “vestiu” com a bandeira da Guiné, nas cores vermelho, amarelo e verde. Outros estavam com uma camisa com a foto de Mamoudou.

A multidão gritava “Chega de racismo” e “Justiça para o doutor Mamoudou Barry”. Pai de duas crianças, o jovem de 31 anos faleceu em decorrência dos ferimentos após ter sido espancado na rua em Canteleu, subúrbio de Rouen. Um suspeito foi preso na segunda-feira (22), mas foi liberado em seguida por “razões médicas”.

Mamoudou tinha acabado de defender uma tese em Direito sobre “Políticas fiscais alfandegárias em matéria de investimentos estrangeiros na África francófona”, no dia 27 de junho em Rouen. Sua esposa e seu irmão estavam presentes durante a manifestação, assim como o deputado europeu ecologista, David Mormand, e outros políticos locais.

“Crime incompreensível”

“Era um homem gentil. Perdemos um jovem de muito valor. A universidade de Rouen não o esquecerá”, afirmou Carine Brière, sua orientadora. “O horror do crime que ocorreu em Canteleu é incompreensível. Toda a comunidade universitária se emocionou com esse drama. O racismo não tem lugar na nossa universidade”, declarou Joël Alexandre, presidente da universidade de Rouen-Normandia, ao ler uma mensagem da ministra francesa do Ensino Superior, Frédérique Vidal.

A associação francesa SOS Racismo fez um apelo para que diversas cidades da França se manifestem durante o fim de semana para “dizer não ao racismo ‘antipretos’ e a todas as formas de ódio racial”. Em Conakri, capital da Guiné, dezenas de pessoas também protestaram diante da embaixada da França para denunciar o crime, com cartazes onde estava escrito “abaixo ao racismo, não à violência”.