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Governo vai apurar papel de policiais na morte de jovem luso-francês

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Mural em homenagem a Steve Maia Caniço, jovem encontrado morto no rio Loire. LOIC VENANCE / AFP

O desaparecimento do luso-francês Steve Maia Caniço, de 24 anos, que durava desde a madrugada do último dia 22 de junho, foi esclarecido com desfecho trágico na manhã desta terça-feira (30).  


Após quase um mês de incertezas por parte seus familiares, a resolução do caso se deu quando o   jovem foi encontrado morto na tarde ontem (29) em um trecho do rio Loire, na cidade de Nantes, noroeste da França, próximo ao local onde Steve foi visto pela última vez. Devido ao avançado estado de decomposição do corpo, o reconhecimento só foi possível nesta terça-feira após uma autópsia. A causa da morte foi por afogamento.

O jovem participava da “Fête de la musique” (Festa da Música, em francês), que acontece anualmente para marcar o início do verão, quando o evento foi interrompido por forças policiais, que utilizaram de forte aparato de repressão. Segundo testemunhas, houve conflito com os participantes, que foram reprimidos com bombas de gás lacrimogêneo e disparos de armas não letais. Durante a ação policial, 14 pessoas caíram na água, e neste momento de distúrbio, o jovem desapareceu.  

O sumiço de Steve deu origem a diversas críticas às autoridades, que foram acusadas de utilizar força em excesso, e que permaneceram omissas ao caso, não empenhado o devido esforço em solucioná-lo.  Hoje (30), a procuradoria da República em Nantes anunciou a abertura de um processo por homicídio culposo e vai apurar quem são os responsáveis pelo incidente. As investigações visam elucidar o procedimento policial.

A ação policial

O sindicato dos policiais responsabiliza o delegado de polícia que liderava a operação naquela madrugada, que, segundo o porta-voz, “imprimiu força desproporcional contra os jovens, que estavam em uma situação vulnerável, alcoolizados, na beira do rio Loire, durante a madrugada”. Apesar das críticas contra a operação, testemunhas afirmam que os policiais foram hostilizados quando chegaram no local para interromper a festa, sendo atacados por “uma chuva de projéteis”.

O distúrbio ocorreu aproximadamente às 4 da manhã do dia 22 de junho passado, quando uma força de ordem foi deslocada com o objetivo de desligar o sistema de som da festa, conforme o estabelecido; segundo o departamento administrativo da região, “os policiais foram atacados por pedras e garrafas de vidro”.

Na ação de dispersão, os jovens desorientados correram para escaparem do gás, e alguns acabaram caindo na água. Ainda de acordo com o departamento administrativo, o Corpo de Bombeiros foi acionado imediatamente para socorrer as pessoas que haviam caído no rio.

Havia cerca de 2.000 pessoas na festa. Oitenta e nove policiais participaram da ação.  Steve Maia Caniço não estava bêbado nem sob efeito de entorpecentes. A família diz que todo o “efetivo de repressão deve ser questionado”, a fim de que se tenha a elucidação do caso.

O presidente Emmanuel Macron diz estar preocupado com o contexto de violência no país, e pede calma. O primeiro-ministro Edouard Philippe disse terça-feira que o relatório da Inspecção Geral de Polícia não estabelece "uma ligação entre a intervenção das forças policiais e o desaparecimento de Steve Maia Caniço "

Na semana passada, a prefeita de Nantes Johanna Rolland enviou uma correspondência ao ministro do Interior, Cristophe Castaner, exigindo “respostas públicas, precisas, e sem atrasos. ” Castaner disse que será realizada uma investigação “transparente”.