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Família francesa abre processo para investigar nascimento de bebê sem braço

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Família exige resposta das autoridades. Flickr/cl a ra maría inés

Uma família francesa do departamento de Ain abriu um processo tendo como base uma situação que põe "em perigo a vida alheia”, após o nascimento de uma criança sem a mão direita. No total, 20 bebês já nasceram com a mesma malformação na França, mas essa é a primeira vez que um caso do tipo vai parar na Justiça.


“Quero saber, é importante para mim e para meu filho”, afirma Axelle Laissy, mãe do pequeno Louis, que nasceu sem sua mão direita. Esse é o primeiro processo do tipo e foi aberto no dia 8 de agosto. O pai da criança, Christophe Aulen, também exige uma resposta.

De acordo com o advogado da família, Fabien Rajon, várias pessoas afetadas pela mesma situação “se questionam sobre a independência e a imparcialidade das investigações científicas” da Agência Nacional de Segurança Sanitária (ANSES) e da instituição Saúde Pública França.

Até agora, as investigações “pareceram muito modestas em suas ambições. Há lacunas e insuficiências”, disse Fabien Rajon. A mãe de Louis, que vivia na cidade de Villars-les-Dombes quando estava grávida, ignorava a existência de outros casos similares no departamento de Ain até 2018. “Descobri na imprensa. Antes, achava que tinha sido um acaso”, disse Axelle Laissy. “Agora quero saber de onde isso vem. Quero lutar.”

Investigações "complexas"

O monitoramento sobre defeitos de nascimentos é algo complicado, particularmente devido à raridade dos acontecimentos. Para realizar este relatório, o Serviço de Saúde Pública francês aplica um protocolo complexo. Uma primeira verificação é feita para saber se os casos são idênticos e se eles compartilham a mesma definição clínica.

Em seguida, a pesquisa compara a frequência de casos notificados em uma determinada área com a média nacional. Finalmente, um trabalho de campo é realizado com as mães para perguntar sobre a gestação, o que se chama de "busca de uma possível exposição conjunta" a fatores externos.

Em cada departamento envolvido, as mães receberam questionários sobre seu estilo de vida durante a gravidez. Em três departamentos investigados, nenhum fator determinante, como uso de medicamentos, drogas ou relatos de malformações nas famílias, pôde ser identificado que pudesse explicar esses casos. Além disso, nem todas as gestações tinham anormalidades.

Na ausência de uma história e de fatores claramente estabelecidos, surge a questão do ambiente. Para a epidemiologista Emmanuelle Amar, entrevistada pelo site Franceinfo, existe uma chance considerável das anomalias serem causadas pela exposição de mães a produtos fitossanitários, como por exemplo pesticidas, durante a gravidez. "Estamos diante de um possível escândalo de saúde pública", disse a especialista.

Em outubro do ano passado, o organismo Saúde Pública França afirmou não ter identificado casos suspeitos no departamento de Ain.